Postar mais. Mandar e-mail para a base antiga de clientes. Criar um cupom para a primeira compra. Testar anúncio numa rede nova. Gravar vídeo mostrando o produto. Refazer as fotos do site. Todo dono de loja tem uma lista assim, anotada no caderno, no bloco de notas do celular ou em mensagens que manda para si mesmo no WhatsApp. E cada ideia da lista, olhada sozinha, vale a pena.
O problema é que nenhuma delas responde à pergunta que decide o resultado: qual vem primeiro, e o que deixa de ser feito para ela caber na rotina. Sem essa resposta, cada ideia anda um pouco, nenhuma chega ao fim, e o dia a dia de pedido para separar, cliente para responder e fornecedor atrasado engole a lista de novo.
Essa lista não sofre de falta de ideia. Sofre de falta de escolha. E é exatamente isso que um plano de marketing resolve quando é feito do jeito certo para quem toca uma loja: não um documento de quarenta páginas com análise de mercado e gráfico colorido, mas uma folha que responde cinco perguntas. Onde a loja está hoje. Aonde ela quer chegar nos próximos 90 dias. Onde vão o dinheiro e o tempo. O que vai deixar de ser feito. E como saber, toda semana, se o caminho está certo.
Essa folha vale para a loja que fatura R$ 25 mil por mês e ainda é tocada quase só pelo dono, para a que passou dos R$ 60 mil e já tem duas ou três pessoas ajudando, e para a operação acima de R$ 100 mil que tem equipe, fornecedor terceirizado e, mesmo assim, sente que o marketing anda em círculos. O tamanho muda o detalhe. A lógica é a mesma, e é ela que você vai encontrar a seguir, passo a passo.
O que é um plano de marketing para uma loja, e por que ele cabe em uma página
Plano de marketing é o documento que define, para um período determinado, qual resultado comercial a empresa busca, quais ações vai executar para chegar lá, quanto de dinheiro e de tempo cada ação recebe e como o avanço será medido. Em uma loja, ele funciona melhor curto, com prazo de 90 dias e revisão frequente.
Quem passou por uma faculdade de administração talvez lembre de matrizes com quatro quadrantes, de siglas decoradas para a prova, de páginas e páginas de diagnóstico. Nada disso está errado. Só não foi pensado para quem abre a loja às nove, responde cliente no WhatsApp na hora do almoço e confere o estoque depois de fechar. Para esse dono, um plano longo tem destino certo: vira arquivo esquecido numa pasta do computador.
A versão de uma página existe por um motivo prático. O que cabe numa folha dá para reler em dois minutos, dá para colar na parede do escritório, dá para mostrar à pessoa que cuida das redes sociais e a quem gerencia os anúncios sem precisar marcar reunião. E, principalmente, dá para cobrar. Um plano que ninguém relê não orienta decisão nenhuma.
Pense no plano como o mapa de uma viagem de carro. Você não precisa conhecer cada curva da estrada, mas precisa saber de qual cidade está saindo, em qual quer chegar, quanto de combustível tem no tanque, quais desvios não vai pegar e em quais paradas vai conferir se continua no rumo. É isso, e só isso, que a folha precisa ter.
Por que 90 dias, e não o ano inteiro? Porque o comércio online muda rápido demais para uma previsão de doze meses funcionar no detalhe. O custo do anúncio sobe, uma rede social muda o jeito de mostrar as publicações, um concorrente aparece com preço agressivo, a coleção nova chega atrasada. Em três meses, dá para ver resultado de verdade e ainda corrigir a rota antes de perder muito dinheiro. O ano pode ter uma direção geral. O plano que você executa é o do trimestre.
Vale separar as coisas desde já. O plano de marketing não é a mesma coisa que decidir quanto investir por mês, nem a lista de tarefas que alguém cumpre de segunda a sexta. Ele fica um degrau acima dos dois: diz para onde a loja vai, e a verba e as tarefas se organizam a partir dele. Quando essa ordem se inverte, o dono gasta primeiro e descobre depois para que gastou.
Um último ponto sobre o formato. A folha não precisa ser bonita. Pode ser escrita à mão, num documento simples do computador ou numa página do caderno de capa dura que você já usa. O que ela precisa é ser clara o bastante para que qualquer pessoa da loja, lendo em silêncio, entenda o que vai ser feito nos próximos três meses e por quê.
Por que a loja que fatura bem ainda vive no improviso
Muitas lojas funcionam sem plano porque o dono não encontra tempo para parar e fazer um. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, a falta de tempo é o desafio mais citado por quem fatura acima de R$ 20 mil por mês, com 49%, e sobe para 59% acima de R$ 100 mil.
Repare no detalhe: quanto maior a loja, mais o tempo aperta. Parece contraditório, porque a gente imagina que quem fatura mais já tem estrutura para respirar. Só que o crescimento traz junto mais pedidos, mais atendimento, mais gente para coordenar. O mesmo relatório mostra que, acima de R$ 100 mil por mês, 46% apontam a gestão de equipes como desafio e 42% citam processos e custos. O dono deixa de fazer tudo sozinho e passa a apagar o incêndio dos outros.
Na ponta de baixo, o quadro é outro, mas o efeito se parece. Segundo a Nuvemshop, 62% das lojas são tocadas por uma pessoa só, e 58% dos pequenos não terceirizam nada. No conjunto das lojas, a falta de dinheiro e de retorno é citada por 47%, e a dificuldade de atrair gente nova para a loja, por 43%. Para quem está sozinho, com pouco caixa e sem ajuda, cada real mal gasto dói, e a tentação é testar um pouco de tudo esperando que alguma coisa pegue.
O relatório mostra ainda que, acima de R$ 20 mil por mês, o problema deixa de ser dinheiro e tráfego e passa a ser tempo, equipe e processos. Na leitura da Refston, a faixa de R$ 20 mil a R$ 40 mil é onde isso mais aperta: a loja costuma travar em processos e pessoas e, muitas vezes, precisa de apoio de fora, seja mentoria, curso ou assessoria, para voltar a crescer. É o momento em que o jeito de trabalhar que trouxe a loja até ali para de funcionar, e o dono ainda não montou o próximo.
O que tudo isso tem em comum é o improviso. Sem plano, o marketing da loja passa a ser decidido pelo que aparece na frente: o representante de uma ferramenta que liga oferecendo teste grátis, o vídeo que viralizou na conta de um concorrente, a ideia que surgiu no grupo de lojistas, a dica de um especialista nas redes. Cada decisão, isolada, parece razoável. Somadas, formam um mês em que se fez muita coisa e nada foi até o fim.
E há um custo invisível nisso. Quando tudo é tentado ao mesmo tempo, fica impossível saber o que funcionou. Se as vendas subiram, foi o cupom, o anúncio novo, a influenciadora ou simplesmente o salário que caiu na conta do cliente? Sem saber, o dono repete o que não deu certo e abandona o que estava começando a dar. O plano de marketing de uma página não cria horas no dia, mas faz o pouco tempo disponível render muito mais, porque tira da mesa as decisões que já foram tomadas.
Pense numa loja de moda feminina que fatura por volta de R$ 80 mil por mês, com vendedora na loja física, uma pessoa cuidando das redes e um fornecedor de anúncios. Todo mundo trabalha. Ninguém sabe dizer qual é a prioridade do mês. A vendedora quer promoção, a pessoa das redes quer conteúdo novo, o fornecedor quer mais verba. Sem uma folha que diga o que vem primeiro, quem decide é quem fala mais alto na semana.
Onde a sua loja está hoje: a fotografia que vem antes do mapa
O ponto de partida de qualquer plano é um retrato honesto da situação atual, feito com poucos números e sem maquiagem: quanto a loja vende por mês, quantas visitas viram pedido, quanto custa trazer cada venda e quais são os principais motivos de o cliente desistir. Sem esse retrato, não há como medir avanço depois.

Comece pelo básico, que muita gente pula. Abra a plataforma da loja e anote o faturamento dos últimos três meses, mês a mês. Depois, o número de pedidos e o valor médio de cada um. Depois, quantas pessoas visitaram a loja no mesmo período. Com esses quatro números, você já sabe mais sobre a própria operação do que boa parte dos concorrentes que decidem tudo no sentimento.
A conta que mais revela é a da conversão, ou seja, de cada cem pessoas que entram na loja, quantas compram. Para ter uma régua, o relatório NuvemCommerce 2026 mostra taxa média de 0,75% nas lojas que faturam até R$ 100 mil por mês e de 1,17% nas maiores. O número varia bastante por setor. Em saúde e beleza, a taxa é de 1,09% nas lojas até R$ 100 mil e de 1,58% nas maiores; em moda, de 0,71% e 1,06%; em casa e decoração, de 0,50% e 0,53%. Uma loja de decoração com 0,5% não está necessariamente mal. Uma de cosméticos com o mesmo número provavelmente tem algo a corrigir.
Depois da conversão, olhe para a desistência. Segundo a Nuvemshop, cerca de 80% dos carrinhos são abandonados nas lojas que faturam até R$ 100 mil por mês, e 77% nas maiores. Os motivos que o consumidor aponta são concretos: frete caro para 57%, prazo longo para 35%, loja desconhecida para 22%, excesso de pop-ups e anúncios para 19%, falta de informação sobre a empresa para 18%. Não é preciso adivinhar qual deles pesa mais na sua loja. Basta olhar o frete que você cobra, o prazo que você promete e o que o cliente encontra quando procura saber quem está do outro lado.
Olhe também para o aparelho em que o cliente compra. Segundo o mesmo relatório, 81% das vendas dos lojistas Nuvemshop na Black November de 2025, o mês de ofertas em torno da Black Friday, saíram do celular. Se a sua loja carrega devagar no telefone, pede cadastro longo ou esconde o frete até o fim, esse detalhe entra na fotografia com destaque, porque é ali que boa parte da venda se perde.
Por fim, escreva numa linha só o principal problema que você enxerga hoje. Para quem já fatura acima de R$ 20 mil por mês, o relatório aponta os três mais comuns: carrinho abandonado, citado por 40%, baixa conversão, por 36%, e custo alto de marketing, por 33%. No conjunto das lojas, a baixa conversão aparece para 57% e o pouco movimento para 51%. O seu pode ser um desses ou outro, mas precisa ser um. Plano que tenta resolver cinco problemas ao mesmo tempo não resolve nenhum.
Um exemplo ajuda a enxergar. Uma loja de roupas fitness que fatura por volta de R$ 45 mil por mês faz esse exercício e descobre que o movimento até é bom, mas quase ninguém termina a compra pelo celular, e o frete para fora do estado está acima do que o cliente aceita pagar. A fotografia mudou o foco inteiro do plano de marketing daquela loja: em vez de gastar mais para trazer gente nova, o trimestre vai ser dedicado a fazer quem já chega comprar.
Aonde chegar nos próximos 90 dias
O destino do plano é um único objetivo comercial para os próximos 90 dias, escrito de forma que qualquer pessoa da equipe consiga dizer, no fim do período, se ele foi alcançado ou não. Objetivos vagos, como crescer nas redes ou vender mais, não servem, porque não indicam o que fazer nem permitem medir.
Compare duas frases. A primeira: “quero crescer este trimestre”. A segunda, com números apenas ilustrativos: “quero sair de 40 para 55 pedidos por semana até o fim de dezembro, sem aumentar o que gasto em anúncio”. A primeira é um desejo. A segunda é um objetivo, porque tem ponto de partida, ponto de chegada, prazo e uma condição que impede o atalho de simplesmente colocar mais dinheiro.
Um objetivo só. É aqui que a maioria dos planos quebra, porque o dono quer tudo ao mesmo tempo: mais seguidores, mais vendas, pedido maior, mais clientes voltando, marca mais conhecida. Tudo isso é bom, mas cada meta puxa a loja para um lado e pede ações diferentes. Escolha a que mais mexe no caixa agora e deixe as outras para o próximo trimestre. Elas não vão fugir.
Esse raciocínio não é invenção de consultor. As próprias ferramentas de anúncio funcionam assim. Na Ajuda do Google Ads, a criação de qualquer campanha começa pela escolha de um objetivo, como vendas, contatos ou visitas ao site, e é a partir dele que o sistema decide o que mostrar e para quem. Se até o anúncio precisa saber o que você quer antes de começar, o plano da loja inteira precisa ainda mais.
Na prática, quase todo objetivo de loja cai em uma de quatro famílias:
- Trazer mais gente nova para conhecer a loja.
- Fazer quem já chega comprar mais vezes.
- Fazer quem comprou uma vez voltar a comprar.
- Vender mais em cada pedido.
Descubra em qual família está o problema principal, aquele que apareceu na fotografia da etapa anterior, e o objetivo quase se escreve sozinho. Se a loja tem movimento e pouca venda, o objetivo é de conversão. Se vende bem para quem chega, mas chega pouca gente, é de atração. Se o cliente compra uma vez e some, é de recompra.
O calendário também entra aqui, com cuidado. Quem monta o plano em outubro tem pela frente a Black Friday e o Natal, e a tentação é colocar todas as fichas nessas datas. Vale saber que a adesão caiu: segundo o relatório da Nuvemshop, a participação das lojas na Black Friday foi de 63% para 41%, e no Natal de 55% para 28%, enquanto 28% não fizeram nenhuma ação em data comemorativa em 2025, 10 pontos a mais que em 2024. O mesmo relatório explica parte da queda pelo anúncio mais caro no fim do ano, quando muita marca disputa o mesmo espaço, e aponta as datas duplas, como 10/10, 11/11 e 12/12, como alternativa mais barata à Black Friday e ao Natal. Não é para ignorar as datas. É para decidir se elas servem ao seu objetivo ou se só vão consumir estoque e margem.
Uma loja de produtos para pets que fatura acima de R$ 100 mil por mês, por exemplo, pode concluir que o objetivo do trimestre é fazer o cliente recomprar a ração antes de acabar, e não disputar a Black Friday no desconto. Já uma loja de acessórios que fatura R$ 30 mil pode decidir o contrário: usar a data para trazer gente nova e guardar o contato dessas pessoas para as próximas vendas. As duas decisões estão certas, porque partem de um objetivo e não do calendário.
Escreva o objetivo no topo da folha, em letra grande. Tudo o que vem abaixo precisa responder a ele.
Onde colocar o dinheiro e o tempo da loja
Distribuir recursos é a parte do plano que transforma intenção em escolha: o dono decide quais canais e ações recebem verba e horas de trabalho no trimestre, em que proporção, e quais ficam de fora. A regra é concentrar esforço nas duas ou três frentes que atacam diretamente o objetivo definido na etapa anterior.
O mercado inteiro está olhando para os mesmos lugares. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, as prioridades de marketing das lojas para 2026 são redes sociais, para 85%, anúncios online, para 64%, conversa pelo WhatsApp, para 46%, influenciadores, para 42%, e fortalecimento da marca, para 39%. Mais abaixo vêm produção de conteúdo, com 35%, automação, com 34%, e experiência do cliente, com 30%. A lista é útil para saber onde está a concorrência, mas não diz onde está o seu cliente nem o que o seu objetivo pede.
É aqui que o objetivo faz o trabalho pesado. Se o problema é trazer gente nova, anúncio e parceria com quem já fala com o seu público compensam. Se o problema é converter quem chega, o dinheiro rende mais em foto, vídeo de produto, página mais clara, frete revisto e atendimento rápido. Se o problema é recompra, o esforço vai para a lista de clientes, o WhatsApp e o e-mail. A mesma loja, com o mesmo dinheiro, monta planos completamente diferentes conforme o objetivo.
Dois dados ajudam a calibrar a parte paga. O primeiro é o custo: segundo o E-Commerce Brasil, anunciar na Meta, dona do Facebook e do Instagram, ficou 12,15% mais caro no Brasil desde 1º de janeiro de 2026, por causa do repasse de impostos. O segundo é o comportamento de quem tem verba curta: o relatório da Nuvemshop mostra que as lojas que investem de R$ 301 a R$ 5.000 por mês têm orçamento para fazer o básico, que é anunciar de novo para quem já visitou a loja e para quem está perto de comprar. É uma escolha sensata, porque com pouco dinheiro não dá para apresentar a marca a quem nunca ouviu falar dela.
Se a parte paga tem peso grande no seu plano, vale entender como o tráfego pago para e-commerce funciona do começo ao fim antes de definir a proporção. Isso evita colocar dinheiro numa frente sem saber o que esperar dela nos primeiros meses.
Quanto separar, em reais, é outra conversa, e ela tem um texto só para ela sobre como definir a verba de marketing da loja. O que o plano decide é a proporção: de cada R$ 100 que a loja vai gastar com marketing no trimestre, quanto vai para trazer gente nova, quanto para converter quem chega e quanto para fazer o cliente voltar. Uma loja de cosméticos pode decidir que metade vai para anúncio, um terço para produção de vídeo e o restante para uma ação com a base de clientes. O número exato importa menos do que ter o número escrito.
E o tempo vale tanto quanto o dinheiro. Com 62% das lojas tocadas por uma pessoa só, as horas do dono são o recurso mais escasso da operação. Coloque na folha quantas horas por semana cada frente vai receber e quem faz. O vídeo de produto no site, por exemplo, está nos planos de 49% das lojas para 2026, contra 29% que usaram em 2025, segundo a Nuvemshop. É uma boa aposta, mas quem vai gravar, em qual dia, com qual produto? Sem essa resposta, a boa aposta vira mais uma ideia no caderno.
Não esqueça a conversa. O mesmo relatório cita a pesquisa E-Consumidor 2026, segundo a qual 60% dos consumidores digitais preferem falar com as marcas pelo WhatsApp, e boa parte dessa conversa acontece antes da compra. Cita também o Chat Commerce Report 2025, segundo o qual a conversão numa conversa pode chegar a até seis vezes a de uma compra comum no site. Se a sua loja recebe mensagem e demora horas para responder, colocar tempo de atendimento no plano pode render mais do que aumentar o anúncio.
O que deixar de fazer para o plano caber na sua semana
A lista do que não fazer é tão importante quanto a do que fazer, porque tempo e verba são limitados e toda ação nova disputa espaço com as que já existem. Um plano realista corta, de forma explícita, as iniciativas que não servem ao objetivo do trimestre, mesmo quando parecem boas ideias isoladamente.

Esta é a parte que mais incomoda, e por isso a mais valiosa. Todo dono de loja tem uma lista de coisas que faz por hábito, por medo de sumir ou porque o concorrente faz:
- Postar todo dia, mesmo sem ter o que mostrar.
- Estar presente em todas as redes sociais ao mesmo tempo.
- Lançar produto novo toda semana.
- Entrar em toda data comemorativa do calendário.
- Dar desconto sempre que a venda esfria.
Algumas dessas coisas podem estar certas para a sua loja. O ponto é que elas precisam passar pelo mesmo filtro das outras: isso ajuda a chegar ao objetivo do trimestre? Se a resposta for não, ou for talvez, entra na coluna do que vai esperar. Não é cortar para sempre. É tirar da frente por 90 dias.
O próprio mercado dá pistas do que costuma sobrar. O relatório NuvemCommerce 2026 publica a visão de um convidado que defende trocar o lançamento constante por uma curadoria mais clara, com menos produtos, com o exemplo da LV Store, que cortou 300 itens do catálogo. O mesmo relatório mostra que 43% dos consumidores acham a compra online cansativa pelo excesso de opções. Uma loja de moda que lança peça toda semana e não consegue fotografar nem divulgar direito nenhuma delas talvez venda mais lançando menos e mostrando melhor.
Com influenciadores acontece algo parecido. Segundo a Nuvemshop, 38% das lojas contrataram influenciadores em 2025, mas, olhando para 2026, 18% reclamam de baixo retorno e 9% dizem que não conseguem medir o resultado. Não significa que parceria com influenciador não funcione. Significa que, sem objetivo e sem forma de acompanhar, ela vira uma despesa de fé. Se não dá para medir dentro do seu plano, ela espera o próximo trimestre.
Um jeito simples de fazer esse corte é pegar o caderno de ideias, aquele da lista do começo, e passar cada item por três perguntas:
- Isso ataca o objetivo do trimestre?
- Eu tenho dinheiro e tempo para fazer direito, e não pela metade?
- Vou conseguir saber se funcionou?
Três respostas sim, entra no plano. Qualquer não, vai para a lista de espera, que também fica escrita na folha, para você não sentir que perdeu a ideia. Muitas vezes, ao reler essa lista três meses depois, o próprio dono percebe que metade dela já não vale a pena.
Uma loja de suplementos que fatura perto de R$ 70 mil por mês pode descobrir nesse exercício que mantém três redes sociais ativas, mas quase toda venda que vem das redes sai de uma só. Concentrar o esforço nela e deixar as outras em modo mínimo por um trimestre libera horas que podem ir para responder mais rápido no WhatsApp. Ninguém perde nada, e a loja ganha foco.
Dizer não também vale para propostas que chegam de fora. O vendedor de uma ferramenta nova, o convite para participar de uma feira, a oferta de patrocínio num evento do bairro. Com a folha na mão, a conversa fica mais fácil: não é que a ideia seja ruim, é que ela não está no plano deste trimestre. Guarde o contato e volte a ela na próxima revisão.
Como acompanhar o plano sem virar refém de planilha
Acompanhar um plano significa conferir, em intervalos fixos, poucos números ligados diretamente ao objetivo e decidir o que ajustar a partir deles. Para uma loja, uma conferência semanal curta com três a cinco indicadores costuma bastar, complementada por uma revisão mais completa ao fim de cada mês do trimestre.

Quais números? Os que respondem ao objetivo, e só eles. Se o objetivo é fazer quem chega comprar mais, olhe toda semana para visitas, pedidos e a proporção entre os dois. Se o objetivo é fazer o cliente voltar, olhe quantos pedidos vieram de quem já tinha comprado antes. Some a isso o quanto se gastou em marketing na semana e o faturamento, e pronto. Mais do que cinco números vira relatório que ninguém lê.
O acompanhamento semanal não precisa ser longo. Quinze ou vinte minutos, sempre no mesmo dia, olhando os mesmos números, já mudam a relação do dono com a loja. Como organizar esse encontro, sozinho ou com a equipe, está explicado no texto sobre a reunião semanal de marketing. O que importa aqui é a disciplina: o plano de marketing só funciona se alguém olhar para ele toda semana.
Mais importante do que o número de uma semana é a direção. Uma semana ruim pode ser chuva, feriado ou atraso de fornecedor. Três semanas seguidas indo para o lado errado são um sinal. A regra prática é não mexer no plano por causa de uma semana e não ignorar três. Quando a direção estiver errada, ajuste a ação, não o objetivo. Troque o anúncio, mude a oferta, corrija o frete. O objetivo só muda na revisão do trimestre.
Medir costuma ser o ponto fraco. O caso dos influenciadores, em que 9% das lojas dizem não conseguir medir o resultado, é só um exemplo de algo que se repete em outras frentes. Antes de começar qualquer ação, decida como vai saber se ela deu certo. Pode ser um cupom exclusivo, um link diferente, uma pergunta simples no atendimento, como “onde você conheceu a loja?”. Não precisa ser sofisticado. Precisa existir.
Quem terceiriza parte do marketing tem uma vantagem aqui, e um risco. A vantagem é que o fornecedor pode trazer os números prontos. O risco é o fornecedor passar a decidir o que medir. Entre as lojas grandes, 74% terceirizam alguma parte da operação, segundo a Nuvemshop. O tráfego pago é o item mais terceirizado, por 63% delas, enquanto só 26% entregam as redes sociais para fora: a conta do anúncio vai para o fornecedor, e a voz da marca fica em casa. A maioria está contente com o serviço, com 57% satisfeitas ou muito satisfeitas, mas cerca de uma em cada cinco não está: 20% se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas. Quando o plano é seu e o fornecedor presta contas a ele, a conversa fica muito mais objetiva.
No fim de cada mês, reserve uma hora para uma conversa mais longa consigo mesmo. O que foi feito do que estava na folha? O que ficou pela metade? Os números andaram na direção do objetivo? A lista de espera ganhou alguma ideia que merece subir? Essa hora mensal é o que impede o plano de virar enfeite de parede.
E no fim dos 90 dias, a revisão é completa. Compare a fotografia do começo com a de agora, confira se o objetivo foi alcançado e, se não foi, entenda por quê. Foi a ação errada, a verba curta, o tempo que faltou ou um objetivo ambicioso demais? A resposta vira a primeira linha do próximo plano.
Como montar o plano de marketing da sua loja em uma página esta semana
Montar o plano de marketing de uma página costuma levar uma tarde de trabalho concentrado para quem já tem os números da loja à mão. O processo segue cinco blocos em sequência: fotografia atual, objetivo de 90 dias, distribuição de dinheiro e tempo, lista do que sai e forma de acompanhamento.
Escolha um horário em que ninguém vai te chamar. Pode ser uma tarde de segunda, com a loja física aos cuidados de outra pessoa, ou um domingo de manhã. Leve os números dos últimos três meses, uma folha em branco e o caderno de ideias. Silencie as notificações do celular. A folha vai ter cinco blocos, nesta ordem:
- Onde estamos: faturamento médio, pedidos por semana, valor médio do pedido, proporção entre visitas e vendas e o principal problema, em uma linha.
- Aonde vamos em 90 dias: um objetivo, com número de partida, número de chegada e prazo.
- Onde vão o dinheiro e o tempo: duas ou três frentes, com a proporção da verba, as horas por semana e o nome de quem cuida de cada uma.
- O que sai: as ações que ficam paradas neste trimestre e a lista de espera.
- Como acompanhamos: de três a cinco números, o dia da conferência semanal e o dia da revisão mensal.
Se tiver sócio ou equipe, faça o rascunho sozinho e depois mostre. Pergunte o que ficou de fora e não deveria ter ficado, e o que está ali sem necessidade. A equipe que participa da versão final cumpre o plano com outra disposição, porque entende o porquê de cada escolha. A pessoa que cuida das redes de uma loja de acessórios, por exemplo, trabalha diferente quando sabe que o objetivo do trimestre é recompra, e não seguidores.
Cole a folha onde você trabalha. Na parede do escritório, na primeira página do caderno, como fundo de tela do computador. Parece bobagem, mas é o que separa o plano que orienta a semana do plano que fica esquecido numa pasta. Toda vez que surgir uma ideia nova ou uma proposta tentadora, olhe para a folha antes de dizer sim.
Seja generoso consigo mesmo no primeiro trimestre. O primeiro plano quase nunca sai perfeito. Você vai errar a proporção da verba, subestimar o tempo de alguma tarefa, escolher um número difícil de acompanhar. Tudo bem. O segundo plano, feito com o aprendizado do primeiro, já sai melhor, e o terceiro começa a parecer natural. O que muda de verdade é que a loja passa a ter direção, e o dono passa a ter critério para dizer não.
Há um momento, porém, em que fazer o plano sozinho deixa de ser a melhor opção. Quando a loja cresce, a quantidade de decisões aumenta e o dono começa a sentir que precisa de alguém de fora para olhar os números com distância, questionar as prioridades e cuidar da execução. É o papel de um assessor de marketing: alguém que ajuda a montar o plano, acompanha junto e responde por ele, sem que o dono precise virar especialista em cada canal.
Se você quer montar o plano de marketing da sua loja com alguém ao lado, olhando para os seus números e para o seu momento, a Refston conversa com você sem compromisso. Chame a gente no WhatsApp e conte onde a sua loja está hoje e aonde você quer chegar nos próximos três meses.
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