Dono de loja de decoração compara duas canecas na bancada e avalia se o dropshipping dá dinheiro na loja dele.

Dropshipping dá dinheiro? O modelo que encolheu 28% e o caminho que as lojas que crescem escolheram

O mesmo produto, com a mesma foto, a mesma descrição e o mesmo prazo de entrega longo, aparece em várias lojas virtuais, mudando só o preço. Quem vende assim já conhece o resto da história. Cada concorrente corta um pouco, o anúncio fica mais caro para disputar o mesmo cliente e a margem do começo vai sumindo sem que nenhuma venda, sozinha, pareça ruim. É nesse ponto que muito dono de loja digita no buscador a pergunta: dropshipping dá dinheiro?

Dropshipping é vender produto que sai direto do fornecedor para o cliente, sem passar pelo seu estoque. Durante um bom tempo, ele foi apresentado como o jeito mais leve de ter uma loja: nada de capital parado em mercadoria, nada de prateleira, nada de despacho. A resposta honesta é que o modelo ainda pode dar dinheiro, mas ficou bem mais difícil. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, o dropshipping segue em queda, com retração de 28% observada na pesquisa, e hoje aparece em 7% das lojas.

O que me interessa aqui não é condenar o modelo, e sim mostrar para onde foram as lojas que crescem. Nas próximas seções estão os motivos da queda, o jeito como as lojas abastecem o estoque hoje, o fornecedor nacional como ponte, a fabricação, o produto exclusivo e a conta de margem que decide se o modelo se paga na sua operação. E termina com quatro movimentos para mudar o abastecimento sem parar de vender.

Dropshipping dá dinheiro? O que os números de 2025 mostram

O dropshipping ainda pode dar dinheiro, mas ocupa cada vez menos espaço no comércio eletrônico brasileiro. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, o modelo segue em queda, com retração de 28% observada na pesquisa, e aparece em 7% das lojas no quadro de tipos de operação.

Os números estão no relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, que retrata o comércio eletrônico de 2025. A frase que resume o assunto está lá, sem rodeio: “revenda e fabricação própria predominam, enquanto o dropshipping segue em queda”. Não é uma opinião sobre o modelo. É uma fotografia de como as lojas estão operando.

O detalhe que mais pesa para quem já passou da fase inicial aparece mais adiante no mesmo texto: a retração de 28% acontece “em todos os portes de e-commerce”. Ou seja, não é só a loja pequena, começando do zero, que está saindo do modelo. A queda é geral e atinge também as lojas maiores, que já têm volume, equipe e anúncio rodando todo mês.

No quadro que mostra como cada loja se abastece, o dropshipping fica com 7%. Só um modelo aparece abaixo dele: importar tudo de fornecedores internacionais. Quem compra de fornecedor nacional, quem fabrica uma parte e quem fabrica tudo ocupa quase todo o resto do quadro, e esses números ganham uma seção própria mais adiante.

Então, dropshipping dá dinheiro ou não? Eu não respondo com sim ou não, porque a pergunta certa é outra: dá dinheiro para quem, vendendo o quê, com qual conta? O modelo continua de pé para algumas lojas, e elas costumam ter três coisas em comum:

  • Vendem um produto de nicho, que pouca gente oferece, e por isso não disputam só preço.
  • Trabalham com fornecedor confiável, muitas vezes no Brasil, que entrega no prazo e resolve troca sem drama.
  • Sabem quanto custa cada venda, do produto ao anúncio, e param de vender o que não fecha a conta.

Do outro lado estão as lojas que sentem o aperto. Revendem o mesmo produto que dezenas de outras lojas, dependem de um fornecedor do outro lado do mundo, com entrega demorada, e pagam anúncio para ganhar o cliente no preço. Para elas, cada mês fica um pouco pior, e o faturamento alto esconde uma sobra cada vez menor.

Quem pergunta se dropshipping vale a pena, na maioria das vezes, já sente isso no caixa. O faturamento até cresce, mas sobra pouco. O cliente reclama do prazo. O concorrente aparece com o mesmo produto mais barato. A pergunta, no fundo, não é se o modelo funciona no mundo. É se ele ainda funciona na sua loja, do tamanho que ela tem hoje.

E existe um ponto de que pouca gente fala: o dropshipping costuma funcionar melhor como ponto de partida do que como destino. Ele serve para testar produto sem comprar mercadoria. Quando um item prova que vende, mantê-lo no dropshipping significa deixar na mão de terceiros justamente o que mais traz dinheiro para a loja. É nesse momento que as lojas que crescem mudam de caminho.

Por que o dropshipping encolheu: imposto, dólar e anúncio mais caro

O dropshipping encolheu por três causas que o relatório NuvemCommerce 2026 aponta: taxação de compras internacionais, alta do dólar e anúncio pago mais caro. Segundo a Receita Federal, compras em sites fora do Programa Remessa Conforme pagam Imposto de Importação de 60%, e o imposto estadual (ICMS) varia de 17% a 20% conforme o estado.

O relatório não deixa a causa no ar. Depois de registrar a queda, ele explica: “Esse cenário se deve, principalmente, à taxação de compras internacionais e à alta do dólar. Outro possível fator é o encarecimento do tráfego pago, que apertou ainda mais as margens de lucro do dropshipping.” São três pressões diferentes, e todas caem no mesmo lugar: a sobra de cada pedido.

O imposto que entrou na conta

Boa parte do dropshipping feito no Brasil trabalha com produto importado, comprado em site estrangeiro e enviado direto ao cliente. Muita loja montou essa operação com uma conta em que o imposto quase não aparecia. Essa conta envelheceu.

A página da Receita Federal sobre impostos em compras internacionais é direta. Para compras em sites de comércio eletrônico não certificados no Programa Remessa Conforme, o cadastro em que a Receita certifica sites estrangeiros de venda, ela informa: “O Imposto de Importação será de 60% sobre o valor”. E o imposto federal não vem sozinho. A mesma página explica que a alíquota do ICMS sobre importados “varia de Estado para Estado da Federação, de 17% a 20%”.

Não vou montar uma conta aqui, porque ela muda conforme o produto, a forma de envio e o estado de destino. O ponto é mais simples: o produto que parecia barato na tela do fornecedor deixou de ser barato quando chega. E alguém paga essa diferença. Se o imposto cai no colo do cliente, ele reclama, pede reembolso ou não volta a comprar. Se a loja absorve, a sobra encolhe pedido a pedido.

O dólar que mexe no seu custo sem avisar

Produto importado tem custo em moeda estrangeira. Quando o dólar sobe, o custo sobe junto, mas o seu preço de venda não acompanha no mesmo dia. Ninguém consegue reajustar a loja inteira a cada oscilação sem assustar o cliente que viu o produto mais barato na semana anterior. Na prática, quem vive de dropshipping internacional passa o mês tentando adivinhar o câmbio, e quando erra, quem paga é a margem.

Isso cria uma sensação que muitos donos conhecem bem: vender bastante e não entender para onde foi o dinheiro. O pedido saiu, o cliente pagou, mas o custo que estava na planilha no começo do mês já não é o mesmo no fim.

O anúncio que ficou mais caro

A terceira causa é o anúncio pago (tráfego pago), aquele que coloca o seu produto no feed das redes sociais e nos resultados de busca. Quando várias lojas vendem exatamente o mesmo produto, todas disputam o mesmo cliente no mesmo leilão de anúncios. Quanto mais gente disputa, mais caro fica cada clique. E como o produto é igual, o anúncio vira uma corrida para ver quem aparece mais vezes e cobra menos.

Essa é a parte mais traiçoeira, porque o dono sente o efeito, mas não enxerga a causa. Ele vê o custo de cada venda subindo e acha que o problema é a campanha, quando boa parte do problema é o produto, que não dá ao cliente nenhum motivo para escolher a loja dele em vez da outra. Para ver onde o anúncio pesa na conta da loja, o panorama completo de tráfego pago para lojas virtuais mostra o quadro completo.

Nenhuma dessas três causas, sozinha, acaba com o modelo. O problema é que elas chegaram juntas e apertam a mesma margem por três lados: o produto ficou mais caro para entrar no país, o custo ficou imprevisível e o cliente ficou mais caro para conquistar.

Como as lojas abastecem o estoque hoje

A maior parte das lojas virtuais pesquisadas abastece o estoque com revenda nacional e fabricação. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 37% compram tudo de fornecedores nacionais, 27% fabricam uma parte e compram o resto, 16% fabricam tudo, 7% fazem dropshipping e só 2% importam tudo de fornecedores internacionais.

Dona de loja virtual confere mantas de algodão com a representante de um fornecedor nacional na sala de amostras.

Vale olhar esse quadro com calma, porque ele desmonta uma ideia que circulou muito nos últimos anos: a de que a loja virtual moderna não precisa de estoque, nem de fornecedor de verdade, nem de produto próprio. Os dados mostram o contrário. A loja que vende pela internet no Brasil, na maior parte dos casos, tem mercadoria comprada de fornecedor nacional ou produzida por ela mesma.

Leia o quadro como um mapa de onde as lojas estão hoje:

  • Revenda nacional. É o grupo mais numeroso: a loja compra pronto de fornecedores brasileiros e cuida da venda, do despacho e do atendimento.
  • Mistura de revenda e fabricação. A loja produz parte do que vende, em geral o que a diferencia, e compra o resto.
  • Fabricação própria. A loja produz todo o catálogo e controla do material ao acabamento.
  • Dropshipping. A loja vende sem mercadoria própria, e o fornecedor envia direto ao cliente.
  • Importação total. A loja compra tudo de fornecedores de fora, o caminho mais raro do quadro.

Repare em duas coisas. A primeira: somando quem fabrica tudo e quem fabrica uma parte, o grupo que põe a mão na produção já é maior do que o grupo que só revende. A segunda: importar tudo, o caminho que por muito tempo pareceu o mais barato, virou exceção.

O grupo do meio, o das lojas que fabricam alguns produtos e compram o resto, é o mais interessante para quem está pensando em mudar. Ele mostra que não existe uma escolha entre oito ou oitenta. Dá para manter a revenda na maior parte do catálogo e produzir só aquilo que diferencia a loja. Muitas lojas chegam lá aos poucos: primeiro um produto, depois uma linha, depois uma parte relevante do que vendem.

E o medo do estoque? É o argumento mais forte a favor do dropshipping, e merece resposta séria. Estoque prende dinheiro, ocupa espaço e pode encalhar. Só que a escolha não é entre estoque zero e um depósito lotado. Com fornecedor perto, a reposição costuma ser mais rápida, o que permite trabalhar com quantidades menores e repor conforme a venda acontece. O estoque deixa de ser um chute grande e vira uma decisão pequena, revista toda semana.

Também vale olhar o quadro pelo lado do cliente. Quem compra na sua loja não sabe, nem quer saber, qual é o seu modelo de abastecimento. Ele sabe se o produto chegou rápido, se veio como na foto e se a troca foi fácil. As lojas que abastecem com fornecedor nacional ou produção própria controlam melhor essas três coisas, e é isso que o cliente sente quando decide comprar de novo.

Para quem fatura entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por mês e ainda vende quase tudo por dropshipping, esse quadro é um aviso e um mapa ao mesmo tempo. Aviso, porque mostra que o modelo está perdendo espaço. Mapa, porque mostra os dois caminhos que a maioria escolheu: comprar de fornecedor nacional e, aos poucos, fabricar.

Fornecedor nacional: a ponte para quem quer sair do improviso

Comprar de fornecedor nacional, com ou sem estoque próprio, funciona como passo intermediário entre a importação e a fabricação: o prazo de entrega encurta e a troca fica mais simples. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 45% das lojas estão sediadas em São Paulo, reflexo da logística e da rede de fornecedores do estado.

Muito dropshipping começa no improviso. O produto é escolhido porque apareceu em alta numa rede social, o fornecedor é um site que o dono nunca visitou, e o prazo de entrega é aquele que o fornecedor quiser cumprir. Funciona enquanto o volume é pequeno. Quando a loja cresce, o improviso vira fila de reclamação, cliente perguntando pelo pedido e avaliação ruim que espanta quem ainda nem comprou.

O fornecedor nacional é a ponte entre esse improviso e uma operação que você controla. E ele tem duas versões, que servem a momentos diferentes da loja.

Dropshipping nacional

O dropshipping nacional mantém a lógica do modelo, sem mercadoria própria e com envio direto do fornecedor, só que com um fornecedor no Brasil. O ganho aparece onde o cliente mais sente: o prazo de entrega encurta, a troca fica mais simples e a encomenda não fica parada na alfândega. Para quem ainda não quer ou não pode comprar estoque, é o primeiro passo mais natural.

O cuidado continua o mesmo: se o fornecedor nacional vende o mesmo produto para dezenas de lojas, a guerra de preço segue viva. Você resolve o problema do prazo, mas mantém o problema da comparação. Por isso o dropshipping nacional é ponte, e não ponto de chegada.

Compra de fornecedor nacional com estoque próprio

O passo seguinte é comprar do fornecedor nacional e guardar a mercadoria. Aqui a loja passa a controlar o despacho, a embalagem, a conferência de qualidade antes do envio e o prazo real de entrega. Comprar tudo de fornecedores nacionais é o arranjo de 37% das lojas, segundo o relatório, o mais comum do quadro, e isso não é por acaso: é o modelo que equilibra controle e investimento.

Com mercadoria própria, você também negocia de outro jeito. O fornecedor que vende para você com frequência tende a dar condição melhor, segurar lote, avisar de novidade antes de todo mundo. Esse relacionamento é muito difícil de construir quando o fornecedor é um site do outro lado do mundo, que não sabe o seu nome.

Há ainda um ganho que pouca gente considera: você vê e toca o produto antes de vender. Pode visitar a fábrica ou o showroom do fornecedor, conferir o acabamento, recusar o lote que veio com defeito. No dropshipping internacional, a primeira pessoa a ver o produto de perto costuma ser o seu cliente.

Por que São Paulo aparece no mapa

O relatório traz um dado que ajuda a entender essa ponte: “45% das lojas estão sediadas em São Paulo, refletindo a infraestrutura logística e o ecossistema de fornecedores do estado.” A concentração mostra o peso que a proximidade com fornecedor e transporte tem para quem vende online. Não quer dizer que a sua loja precisa estar em São Paulo. Quer dizer que fornecedor perto, prazo curto e frete previsível são vantagem real, e vale procurar essa vantagem onde quer que você esteja.

Mudar de modelo mexe em várias linhas do custo, do frete à embalagem, e vale olhar o conjunto antes de decidir. Detalhamos esse quadro em quanto custa vender online, que ajuda a comparar o que você paga hoje com o que passaria a pagar.

Por que as lojas que crescem passam a fabricar

As lojas que crescem passam a fabricar para ter custo menor e oferta exclusiva. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, mais de 62% dos lojistas em expansão, com faturamento acima de R$ 20 mil mensais, investem na fabricação de produtos, e os maiores “migram para a fabricação própria para recuperar o controle da cadeia de valor”.

Dona de loja e costureira ajustam a primeira capa de almofada de linho da loja em ateliê limpo e bem iluminado.

O trecho completo do relatório vale a leitura, porque explica o motivo e não só o movimento: “lojistas maiores migram para a fabricação própria para recuperar o controle da cadeia de valor, garantindo não apenas custos menores, mas uma oferta exclusiva para o consumidor”. Cadeia de valor, em linguagem de dono, é o caminho inteiro do produto, da matéria-prima até a casa do cliente. Quem fabrica decide mais etapas desse caminho e depende menos da decisão dos outros.

Para o relatório, esse movimento demonstra “a maturidade da gestão em e-commerces de maior porte”. É uma leitura que faz sentido na prática. Enquanto a loja é pequena, o dono se preocupa em vender. Quando ela passa de R$ 20 mil por mês e continua crescendo, a preocupação muda de lugar: passa a ser quanto sobra de cada venda e quanto da operação depende de terceiros.

Fabricar não é abrir uma fábrica

Essa é a primeira confusão a desfazer. Para muitas lojas, fabricar começa com uma parceria: uma oficina de costura, um ateliê, uma marcenaria, uma pequena indústria que produz com a especificação da loja. A loja define o modelo, o material e o acabamento, e a produção fica com quem já sabe fazer. O controle muda de mãos sem que o dono precise comprar máquina ou montar uma equipe de produção.

O que a fabricação resolve

Quando você fabrica, ainda que só uma parte do catálogo, três coisas mudam:

  • O custo fica mais previsível, porque depende menos do câmbio e do preço que o revendedor decidiu cobrar naquele mês.
  • A qualidade passa a ser sua, e você responde por ela com conhecimento de causa, não com a palavra de um fornecedor distante.
  • O produto deixa de ser comparável, porque só a sua loja vende aquele modelo, naquele material, com aquele acabamento.

O terceiro ponto é o que mais pesa no anúncio. Um produto que só você vende não entra no leilão contra dez lojas iguais. O cliente que clica nele não encontra a mesma peça mais barata na aba ao lado.

O passo muda com o tamanho da loja

Não existe um único jeito de entrar na fabricação. Para quem fatura entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por mês, costuma fazer sentido começar com um produto: o mais vendido, ou aquele que os clientes mais elogiam, desenvolvido com um parceiro local. Entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, já dá para pensar numa pequena linha própria convivendo com a revenda. Acima de R$ 100 mil, a fabricação pode ocupar parte relevante do catálogo, com mais poder de negociação sobre material e prazo.

Isso conversa diretamente com outra decisão: a de construir uma marca reconhecível, e não só uma loja que repassa produto. Aprofundamos esse lado em posicionamento de marca, que mostra como a loja passa a ser lembrada pelo que oferece de diferente.

Fabricar tem custo, prazo de desenvolvimento e risco de errar o produto. Não é atalho. É uma mudança de postura: a loja deixa de alugar o produto de alguém e passa a ser dona do que vende.

Produto exclusivo: a saída da guerra de preço

Produto exclusivo é aquele que o cliente só encontra em uma loja, seja de fabricação própria, seja desenvolvido com um fornecedor, e por isso disputa valor em vez de preço. O relatório NuvemCommerce 2026 registra: “Conforme a loja virtual cresce, a necessidade de se diferenciar com produtos exclusivos aumenta, assim como a demanda por controle operacional.”

Pense em como o cliente compra um produto que dez lojas vendem. Ele vê o anúncio, gosta e, antes de comprar, abre outras abas. Encontra o mesmo produto, com a mesma foto, em outra loja. Compara o preço, compara o frete e fecha onde sair mais barato. Você pagou o anúncio que despertou o interesse, e outra loja ficou com a venda.

Essa é a guerra de preço na prática. Ninguém declara, mas todo mundo participa. E nela só existe uma arma: baixar o preço. Cada loja tira um pouco da própria margem para ganhar o cliente da vizinha, até que vender passa a dar muito trabalho e pouco retorno.

O produto exclusivo tira a sua loja dessa disputa. Quando só você vende aquela peça, o cliente não tem com quem comparar. A pergunta dele deixa de ser “onde está mais barato?” e passa a ser “vale o que custa?”. E essa segunda pergunta você responde com coisas que não têm a ver com preço: material, acabamento, atendimento, a história do produto, a segurança de comprar de quem fez.

Exclusivo não significa inventar do zero

Muita gente trava aqui, achando que produto exclusivo exige criar algo que o mundo nunca viu. Não exige. Muitas vezes, exclusividade é uma decisão sobre detalhes:

  • Na moda, uma modelagem própria, um tecido escolhido pela loja, uma cor que só ela tem.
  • Em casa e decoração, uma peça com medida ou acabamento diferente do padrão que se encontra por aí.
  • Em acessórios, um banho, uma pedra ou um fecho que a loja define com o fornecedor.
  • No pet, uma cama ou uma roupinha com tecido e costura escolhidos pela loja.
  • Em qualquer segmento, um kit montado pela loja, que junta produtos de um jeito que ninguém mais oferece.

Alguns desses caminhos passam pela fabricação. Outros passam por um acordo com o fornecedor nacional, que produz uma versão só para a sua loja. Em todos, o resultado para o cliente é o mesmo: ele encontra na sua loja algo que não encontra em outra.

O outro lado da exclusividade: controle

O relatório liga a exclusividade a uma segunda necessidade, “a demanda por controle operacional”. Faz sentido. Produto exclusivo não admite improviso. Se ele atrasa, não há outro fornecedor com o mesmo item para cobrir o buraco. Se vem com defeito, a reclamação recai sobre a sua marca, e não sobre um produto genérico que qualquer um vende. Quem escolhe a exclusividade escolhe também cuidar de prazo, qualidade e estoque com mais atenção.

É mais trabalho, sem dúvida. Mas é trabalho que constrói alguma coisa. A loja que só revende o que todo mundo revende passa anos disputando centavos. A loja que tem produto próprio passa a disputar preferência, e preferência é o que faz o cliente lembrar da sua loja antes de abrir qualquer outra aba.

Margem: a conta que decide se o modelo se paga

O modelo de abastecimento se paga quando sobra margem depois de custo do produto, imposto, frete e anúncio. Segundo Renato Burin, Head de Nuvem Pago, em artigo convidado do relatório NuvemCommerce 2026, a maioria das lojas virtuais em expansão já possui margens de 10% a 30% e agora foca em defender essa lucratividade.

Sócios de uma loja virtual revisam no caderno a margem de cada produto, com o notebook aberto na mesa de trabalho.

A frase completa de Burin ajuda a entender o momento: “Os dados do Nuvem Commerce 2026 mostram que, para os e-commerces em expansão, o desafio mudou: a maioria já possui margens de 10% a 30%, focando em otimizar e defender a lucratividade, não apenas em buscá-la.” Em outras palavras, quem está crescendo já não pergunta só se vai sobrar dinheiro. Pergunta como proteger o que sobra.

Agora coloque o dropshipping nessa conversa. Defender a margem exige ter controle sobre as linhas que formam a margem. E o modelo, por natureza, deixa quase todas essas linhas na mão de outra pessoa.

A conta do dropshipping, em palavras

Sem calculadora, a conta de cada pedido é esta. Você parte do preço que o cliente pagou, e dele sai:

  • O custo do produto, que o fornecedor define e, no caso do importado, ainda varia com o dólar.
  • O imposto, que no produto importado pode pesar muito, como vimos na seção sobre a queda do modelo.
  • O frete, que depende da distância, do peso e de quem faz a entrega.
  • O anúncio, que é o que você pagou para aquele cliente chegar até a loja.
  • As taxas e as perdas, como a tarifa do meio de pagamento, a troca e o pedido devolvido.

O que fica depois disso tudo é a margem. Repare em quantas dessas linhas você controla no dropshipping. O custo é do fornecedor. O imposto é do governo. O frete, muitas vezes, também é do fornecedor. O anúncio é do leilão. Sobra para você uma alavanca: o preço de venda. E, quando o produto é igual ao do concorrente, nem essa alavanca é sua de verdade, porque subir o preço significa perder a venda para a loja ao lado.

Quem ainda faz a conta fechar

Isso não quer dizer que a conta nunca fecha. Ela fecha quando a loja recupera controle sobre alguma das linhas. Quem negocia com fornecedor nacional ganha previsibilidade no custo e no frete. Quem vende produto de nicho ganha espaço no preço. Quem conhece o custo real de cada venda corta o produto que dá prejuízo antes que ele vire hábito. E quem usa o dropshipping só para testar, levando o que vende bem para estoque próprio ou fabricação, fica com o lado bom do modelo e larga o lado ruim.

O detalhamento da conta, com cada linha no lugar certo, está em margem de lucro no e-commerce, onde mostramos como calcular a sua. Aqui, o ponto é estratégico: se as lojas que crescem trabalham com margens de 10% a 30%, segundo Burin, e ainda assim estão focadas em defendê-las, qualquer modelo que deixe a margem exposta a três ou quatro forças de fora merece ser revisto.

Também vale um alerta sobre o faturamento, que no dropshipping engana com facilidade. Como não existe mercadoria parada, cada venda parece lucro limpo. Mas faturamento é o que entra, e margem é o que fica. Uma loja pode crescer em pedidos e encolher em dinheiro no bolso ao mesmo tempo, e o dono só percebe quando olha o extrato no fim do mês e não reconhece o próprio negócio.

Por onde começar a mudar o abastecimento da sua loja nesta semana

Mudar o abastecimento começa por um levantamento, e não por uma troca brusca: listar os 10 produtos que mais vendem e a origem de cada um, cotar um fornecedor nacional para os 3 primeiros e avaliar um produto próprio. O relatório NuvemCommerce 2026 mostra que 37% das lojas já compram tudo de fornecedores nacionais.

A mudança não precisa ser uma ruptura. Ninguém precisa desligar a loja, cancelar fornecedor ou comprar uma montanha de mercadoria de uma vez. O caminho mais seguro é trocar o abastecimento produto por produto, começando pelos que mais pesam no faturamento. Para esta semana, três movimentos bastam:

  1. Liste os 10 produtos que mais vendem e de onde vem cada um. Ao lado de cada item, anote o fornecedor, se ele está no Brasil ou fora, quanto tempo a entrega costuma levar e quantas reclamações aquele produto gera. Só esse levantamento já mostra onde a sua loja está mais exposta.
  2. Cote um fornecedor nacional para os 3 primeiros. Não para trocar amanhã, e sim para comparar. Com a cotação em mãos, você enxerga o quanto o prazo, a troca e o custo mudariam se aqueles produtos viessem de perto.
  3. Avalie um produto próprio. Entre os 10 da lista, escolha um que você gostaria de melhorar: um tecido, uma medida, um acabamento, um kit. Esse é o candidato natural para a primeira versão exclusiva da loja.

Enquanto isso, a loja continua vendendo como vende hoje. O dropshipping pode seguir com a parte do catálogo que é teste, sazonal ou de pouca saída. O que muda é que os produtos que sustentam o faturamento passam, aos poucos, para um abastecimento que você controla. É uma transição de semanas e meses, não de um fim de semana.

Vale ajustar o anúncio junto com o abastecimento. Produto que chega mais rápido, com troca simples, pode ser anunciado por esse motivo, e produto exclusivo pede uma abordagem que não seja a do preço mais baixo. Abastecimento e anúncio são duas pontas da mesma conta, e mexer numa sem olhar a outra costuma desperdiçar dinheiro.

É exatamente esse cruzamento que a assessoria de marketing da Refston faz ao lado do dono da loja: olhar produto, origem, margem e anúncio na mesma mesa, antes de decidir onde colocar o próximo real. Sem fórmula pronta e sem número prometido, porque cada loja tem a sua conta, e ela só aparece quando alguém se dispõe a olhar linha por linha.

Se, depois de fazer a lista dos 10 produtos, você ficar em dúvida sobre qual mudar primeiro, me chama no WhatsApp para a gente olhar o abastecimento da sua loja. Traga a lista junto. Ela diz mais sobre o futuro da sua margem do que qualquer campanha.

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