“Vocês têm loja? Dá para passar aí e ver de perto antes de comprar?” Quem vende pela internet conhece essa mensagem. Ela costuma chegar no fim do dia, de alguém que mora no mesmo bairro do estoque, e quase sempre termina igual: a loja explica que atende só pelo site, a pessoa agradece e some. Às vezes volta e compra. Muitas vezes, compra de quem tinha uma porta aberta na esquina.
Por trás dessa mensagem mora uma dúvida que acompanha muito dono de loja virtual. Vale assumir aluguel, vitrine e alguém atrás do balcão, ou isso é andar para trás numa época em que tudo parece caminhar para a tela do celular? Quem já tem os dois lados costuma sentir um incômodo diferente: o balcão e o site funcionam como duas empresas que mal se falam, com estoque que não bate, preço que muda de um lado para o outro e cliente que não entende por que a peça anunciada não está na vitrine.
Os números mais recentes do comércio digital brasileiro contrariam a aposta de que o futuro seria só digital. As lojas que mais faturam não fecharam o endereço físico. Mais da metade delas mantém pelo menos um ponto aberto ao público, e as que já tinham um estão abrindo o segundo. Não porque a internet perdeu força, mas porque o balcão passou a fazer por elas coisas que o site sozinho não consegue fazer.
Nas próximas seções, você vai ver quantas lojas já vendem nos dois lugares, por que as maiores insistem no ponto físico e quais trabalhos o balcão faz por elas: passar confiança, aliviar o peso do frete e trazer cliente novo sem entrar no leilão de cliques. Depois, como manter preço e estoque iguais nos dois lados, em que momento o primeiro ponto físico cabe na sua loja e o que dá para fazer ainda nesta semana, sem obra e sem assinar contrato de aluguel.
Loja física e online: quantas lojas já vendem nos dois lugares
A combinação de loja física e online ainda é minoria no comércio digital brasileiro. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, 67% dos lojistas não têm loja física, 28% têm pelo menos uma loja e 10% têm duas ou mais filiais, com leve aumento da presença física em relação a 2024.
Olhando de longe, o retrato sugere que loja física virou exceção. A grande maioria de quem vende pela internet não tem endereço aberto ao público. Para quem começou no digital, com estoque em casa ou numa sala comercial, isso confirma a sensação de que dá para crescer sem nunca pagar o aluguel de um ponto.
Só que o mesmo relatório traz um detalhe que merece atenção. Nas palavras dele, “os lojistas responderam com um leve aumento da presença física (+5% de marcas com loja física em relação a 2024)”. É pouco? É. Mas aponta na direção contrária à de quem previa que a rua ia virar só lugar de aluguel caro e movimento fraco. Quem vende online está, aos poucos, voltando a abrir porta.
A explicação começa do lado de quem compra. A pesquisa E-Consumidor 2026, citada no relatório, mostra que “os consumidores ainda preferem a loja física para comprar diversos tipos de produtos, como alimentos, roupas de festa, óculos e colchões”. Repare no que esses itens têm em comum. No colchão, a pessoa quer deitar antes de pagar. O óculos precisa ficar bem no rosto. A roupa de festa tem data marcada, caimento que não perdoa e nenhuma margem para atraso na entrega. O alimento pede frescor e, muitas vezes, pressa.
Agora pense no que a sua loja vende. Se o produto pede mão, corpo ou urgência, o balcão pesa mais na decisão do seu cliente do que parece. Moda e calçado vivem de prova e de tamanho. Cosmético vive de cor, textura e cheiro. Casa e decoração vivem de escala, de ver se aquele vaso cabe na estante ou se o tom do tecido é o mesmo da foto. Em todos esses casos, existe um grupo de clientes que até compraria pelo site, mas só depois de ver ao vivo pelo menos uma vez.
Isso não quer dizer que toda loja virtual precise de uma porta na rua. Quer dizer que a pergunta mudou. Por muito tempo, o dono se perguntou se deveria ter loja física ou virtual, como se fosse preciso escolher um lado e abrir mão do outro. Entre as lojas que crescem, a pergunta hoje é outra: como as duas portas trabalham juntas, e que papel cada uma cumpre no caminho do cliente até o pagamento.
É aqui que os números das lojas maiores ficam interessantes, porque mostram que o ponto físico não some quando a operação cresce. Pelo contrário.
Por que metade das lojas que faturam acima de R$ 100 mil mantém um ponto físico?
Entre as lojas que faturam acima de R$ 100 mil por mês, 51% possuem operação física, com loja única ou rede de filiais, enquanto 69% das lojas virtuais menores são exclusivamente digitais, segundo o relatório NuvemCommerce 2026. Na comparação com 2024, a fatia de alto faturamento com duas ou mais filiais subiu de 10% para 16%.

O texto do relatório é direto: entre as lojas de alto faturamento, “mais da metade (51%) possui operação física (seja uma loja única ou rede de filiais), enquanto 69% dos e-commerces menores são exclusivamente digitais”. Ou seja, quanto menor a operação, mais ela vive só da tela. Quanto maior, mais ela tem endereço.
O detalhe mais revelador está na comparação entre os dois anos. Veja como as lojas acima de R$ 100 mil por mês se distribuíram:
- Sem loja física: 49% em 2025, contra 48% em 2024.
- Com apenas uma loja: 35% em 2025, contra 43% em 2024.
- Com duas ou mais filiais: 16% em 2025, contra 10% em 2024.
A fatia sem loja ficou praticamente parada. O que mudou foi dentro do grupo que já tinha balcão: menos lojas com uma unidade só e mais lojas com duas ou mais. A leitura mais provável é que quem já tinha um ponto físico gostou do que viu e abriu o segundo. O ponto físico acompanha o crescimento. Não substitui a loja virtual, anda ao lado dela.
Cabe uma honestidade aqui, porque é fácil tirar a conclusão errada. Esses números não provam que abrir loja faz faturar mais. A ordem costuma ser a inversa: a operação cresce, ganha caixa e uma clientela concentrada em algumas regiões, e só então o balcão passa a fazer sentido. Abrir ponto físico para tentar destravar uma loja que ainda não se sustenta no digital é trocar um problema por dois, agora com aluguel vencendo todo mês.
Também vale olhar a outra metade. Quase metade das lojas grandes vive muito bem sem nenhum balcão. Para elas, o produto não pede prova, o cliente está espalhado pelo país e o dinheiro rende mais em outros lugares. Não existe um caminho certo. Existem dois caminhos que funcionam, e a escolha depende do que você vende e de onde está quem compra de você.
Então por que tantas grandes insistem? O relatório responde com uma frase que vale guardar: “Para operações que ganham escala, a loja física deixa de ser apenas um custo fixo e passa a atuar como” três coisas ao mesmo tempo. Ponto de apoio para a entrega e a retirada. Lugar onde o cliente encosta na marca e passa a confiar nela. E canal de cliente novo que pode sair mais barato do que a disputa por cliques nos anúncios.
Repare na expressão “deixa de ser apenas um custo fixo”. O aluguel continua lá, todo mês, assim como a equipe e a vitrine. A diferença é que esse custo passa a trabalhar em três frentes, e cada uma merece um olhar próprio, começando pela confiança.
O balcão como prova de que a loja existe
Para parte dos consumidores, a dúvida sobre a loja impede a compra. A pesquisa E-Consumidor 2026, citada no relatório NuvemCommerce 2026, aponta que 22% desistem por loja virtual desconhecida e 18% por falta de informações sobre a empresa. Um endereço visitável sinaliza que existe uma empresa real por trás do site.
Pense no momento exato em que alguém encontra a sua loja pela primeira vez. Gostou do produto, achou o preço justo, chegou até a tela de pagamento. E então trava. Quem está por trás disso? Se der problema, a quem eu reclamo? E se a entrega nunca chegar? Essas perguntas raramente viram mensagem para a loja. Viram aba fechada.
O relatório NuvemCommerce 2026 descreve a loja física como “ponto de experiência e branding”, algo que “oferece um espaço tangível para o cliente interagir com a marca, gerando confiança e valor”. Em termos de loja: é o lugar onde a marca deixa de ser um site e vira um balcão com gente atrás. Um endereço que aparece no mapa, uma fachada que alguém pode fotografar, uma pessoa que atende pelo nome.
O curioso é que essa confiança não depende de o cliente ir até lá. Muita gente compra pelo site justamente porque viu que a loja tem endereço, mesmo morando em outra cidade. Saber que existe uma porta aberta, com estoque, equipe e horário de funcionamento, já desfaz boa parte do medo. A loja física trabalha pela venda online mesmo quando ninguém atravessa a porta dela.
Para quem mora perto, o efeito é ainda mais forte. O cliente que visita uma vez, pega o produto na mão, conversa com a vendedora e sai satisfeito tende a comprar depois pelo site, sem receio, porque agora sabe exatamente o que vai receber. A primeira compra no balcão funciona como o teste que tira o risco das compras online seguintes.
E tem a troca. Para muita gente, o maior receio de comprar pela internet é ter de devolver: embalar de novo, ir até a agência, esperar o estorno. Quando a loja aceita trocar no balcão o que foi comprado no site, esse receio diminui bastante. O cliente sabe que, se o tamanho não servir, resolve numa passada rápida pela loja.
Agora, um cuidado. Ter loja física e esconder isso no site é desperdiçar o principal trunfo. Endereço visível, foto da fachada e do salão, nome de quem atende, horário de funcionamento e o convite para visitar precisam aparecer onde o cliente desconfiado procura. O balcão só prova que a loja existe se o cliente souber que ele existe.
E quem ainda não tem ponto físico não está condenado a perder essas vendas. Há outros caminhos para mostrar que existe uma empresa séria do outro lado da tela, e reunimos os principais em como passar confiança na loja virtual. O balcão é um dos sinais mais fortes, mas não é o único.
Retirar na loja: quando o frete deixa de assustar o cliente
Frete muito caro e prazo de entrega muito longo estão entre os principais motivos de desistência da compra online: 57% e 35% dos consumidores, respectivamente, segundo a pesquisa E-Consumidor 2026, citada no relatório NuvemCommerce 2026. Em 2025, 19% das lojas usaram a venda online com retirada na loja como ação de venda.

Repare na ordem de grandeza. O frete caro afasta mais compradores do que o medo de loja desconhecida, que vimos na seção anterior, e o prazo longo vem logo atrás. Não é que o cliente não queira o produto. Ele quer, só não aceita pagar caro para esperar dias por algo que, muitas vezes, está numa prateleira perto da casa dele.
É aí que a loja física muda o jogo da entrega. O relatório chama esse papel de “hub logístico”, que “facilita o ‘clique e retire’ enquanto reduz custos de frete e tempo de entrega para a ‘última milha'”. Traduzindo para o dia a dia: o cliente compra pelo site e busca na loja, e o ponto físico encurta o trecho final até a casa dele, que é onde o envio pesa no bolso e no relógio.
Para o cliente, a retirada resolve três incômodos de uma vez. Ele não paga frete. Não fica dias esperando, porque busca assim que o pedido estiver separado. E não precisa ficar em casa aguardando o entregador. Para a loja, a venda já está paga quando o cliente chega, não há embalagem de envio nem risco de extravio no caminho, e a pessoa que entra para buscar um pedido vê o resto da loja.
Esse último ponto pede cuidado na expectativa. Não dá para prometer que todo cliente que vem retirar vai levar mais alguma coisa. Mas ele está ali, diante da vitrine, com o produto que escolheu na mão e uma vendedora por perto. É uma oportunidade de conversa que a entrega pelo correio nunca oferece.
Ainda assim, a retirada está longe de ser regra entre as ações de venda das lojas. Para quem já tem balcão e não oferece essa opção no site, talvez seja o ajuste mais simples de toda esta leitura: o ponto já existe, o estoque já está lá, falta só deixar o cliente escolher buscar.
A retirada, porém, tem uma regra de ouro: o produto precisa estar pronto quando o cliente chegar. Nada estraga mais a confiança do que atravessar a cidade e ouvir que o pedido ainda não foi separado, ou pior, que a peça foi vendida no balcão de manhã. Os combinados que evitam isso são simples:
- O pedido é separado assim que o pagamento é confirmado, com o nome do cliente.
- O cliente recebe um aviso claro de que já pode buscar, com endereço e horário.
- A retirada tem um lugar definido no balcão, sem disputar fila com quem está comprando.
- Troca e devolução de compra feita no site podem ser resolvidas ali mesmo.
Um detalhe para não confundir as coisas: a retirada não resolve o frete de quem mora longe. Para esse cliente, a questão continua sendo quanto cobrar pelo envio e se vale bancar parte dele. Essa conta tem lógica própria, e destrinchamos em quando o frete grátis vale a pena para a loja virtual. Aqui o ponto é outro: para quem mora perto, a loja física pode simplesmente tirar o frete da conversa.
O cliente que entra pela porta custa menos do que o que vem do anúncio
O relatório NuvemCommerce 2026 descreve a loja física, nas operações que ganham escala, como canal de aquisição de clientes com custo menor, porque capta o movimento da rua de forma orgânica. Segundo o texto, isso pode ser mais eficiente do que a disputa cada vez mais cara por cliques nas plataformas de anúncios.
Todo dono de loja virtual conhece a sensação de pagar para ser visto. Cada visita que chega pelo anúncio tem um preço, e esse preço sobe quando mais lojas disputam a atenção do mesmo cliente.
Nas palavras do relatório, a loja física pode funcionar como um “canal de aquisição com CAC menor”. Traduzindo: um jeito de trazer cliente novo em que o custo para conquistar cada cliente pode ficar abaixo do que se paga no anúncio. O mecanismo é simples. Uma vitrine numa rua por onde passa o seu público é exposição que o aluguel já paga, todos os dias, sem cobrança por olhar. A pessoa passa, vê a vitrine, entra por curiosidade e conhece uma marca que nunca teria procurado na internet.
Repare no “pode”. O relatório não diz que é sempre mais barato, e seria desonesto dizer isso aqui. A conta só fecha quando algumas condições se juntam:
- O ponto fica onde o seu cliente circula, e não só onde o aluguel é mais em conta.
- A vitrine é bem montada, bem iluminada e renovada com frequência, para quem passa ter motivo para parar.
- Quem entra pela primeira vez sai com um jeito de continuar comprando: o contato no WhatsApp, o perfil da loja nas redes, um cadastro para receber novidades.
- Alguém pergunta, e anota, como cada cliente novo conheceu a loja.
O terceiro item é o que mais se perde. Muita loja física recebe gente nova toda semana e deixa essa pessoa sair sem nenhum vínculo. Ela comprou uma vez, gostou e nunca mais ouviu falar da loja. Quando a loja física e online funciona como um negócio só, o cliente que entrou pela porta pode virar cliente que compra pelo site o ano inteiro, e é aí que o custo da conquista se dilui de verdade.
Também não se trata de trocar o anúncio pelo balcão. Os dois fazem trabalhos diferentes. O anúncio alcança gente em qualquer cidade, no momento em que ela está rolando o feed. O balcão alcança quem passa na sua calçada. Numa operação integrada, o anúncio pode levar gente da região até a loja, e a loja dá confiança a quem conheceu a marca pelo anúncio. Um alimenta o outro. Para entender onde o anúncio entra nesse desenho, e como medir o que ele traz de volta, vale o nosso material completo sobre anúncio para loja virtual.
E uma diferença precisa estar clara antes de qualquer decisão: o anúncio você pausa amanhã, se o mês apertar. O aluguel, não. A loja física troca parte de um custo variável por um custo fixo, e custo fixo exige que o ponto trabalhe todos os meses, inclusive nos fracos. Por isso a pergunta não é só se o cliente da porta custa menos. É se a sua loja aguenta o custo fixo nos meses em que a porta estiver mais vazia.
Mesmo produto, mesmo preço: como vender no balcão e no site sem bagunçar o estoque
Vender no balcão e no site sem conflito exige um estoque só e preços coerentes nos dois canais. Em material do Sebrae sobre a integração dos canais de venda, o exemplo é um tênis de unidade única: vendido no site, ele precisa sair da vitrine imediatamente.

O texto do Sebrae descreve a cena sem rodeios: “Assim que um consumidor faz a aquisição desse produto no seu e-commerce, o mesmo produto deve ser retirado da vitrine da loja, para garantir que não seja feita uma venda de um produto que não existe em estoque.” Parece óbvio no papel. Na prática, é onde muita loja tropeça.
Imagine a sexta-feira de uma loja de calçados com balcão e site. De manhã, a vendedora vende o último par de um modelo para uma cliente que entrou pela porta. À tarde, alguém compra o mesmo par pelo site, que ainda mostra o produto disponível. No fim do dia, a loja descobre o problema e precisa ligar para quem pagou online, pedir desculpas e devolver o dinheiro. A cliente fica sem o tênis, a loja perde a venda e, pior, perde a confiança que o balcão deveria ter construído.
Para o Sebrae, integrar os canais de venda significa fazer a experiência do consumidor acontecer de forma integrada, antes e depois da compra. Na linguagem do dono, juntar loja física e online sem bagunça se resume a três combinados que valem mais do que qualquer ferramenta.
Um estoque só, com um número só
O produto não pertence ao balcão nem ao site. Pertence à loja. Isso quer dizer que existe uma única contagem, atualizada no momento da venda, venha ela de onde vier. Se a peça saiu pelo balcão, some do site. Se saiu pelo site, sai da vitrine e vai para o lugar de retirada. Quem cuida disso, em que momento e o que acontece quando o número não bate precisam estar definidos antes, e não descobertos no dia do problema.
Para peças únicas ou que esgotam muito rápido, vale uma regra extra: separar uma pequena reserva para cada lado, justamente para evitar a cena da sexta-feira.
Preço igual nos dois lados, e exceção sempre explicada
Quando alguém digita o assunto num buscador, uma das sugestões que aparecem é justamente a diferença de preço entre loja física e virtual. Não é à toa. O cliente compara. Ele vê o preço no site pelo celular, de pé na frente da vitrine, e estranha quando o número da etiqueta é outro. Se o balcão cobra mais, ele se sente enganado. Se o site cobra mais, ele se pergunta por que deveria comprar online.
A regra mais segura é simples: o mesmo produto tem o mesmo preço nos dois lugares. Quando houver exceção, como uma promoção só do site por alguns dias ou uma condição especial para quem retira no balcão, ela precisa ser clara, ter prazo e estar explicada dos dois lados. Exceção explicada é estratégia. Exceção que o cliente descobre sozinho vira desconfiança.
A mesma política de troca, venha a compra de onde vier
O cliente não pensa em canal. Ele pensa na loja. Quem comprou pelo site quer poder trocar no balcão, e quem comprou no balcão quer poder tirar uma dúvida pelo WhatsApp. Política de troca diferente em cada lado, ou vendedora que diz “isso foi comprado no site, não é com a gente”, destrói em um minuto o que a loja levou meses para construir. Vale o mesmo para a equipe: quem atende no balcão precisa saber o que está em promoção no site e o que já foi vendido por lá.
Repare que nenhum desses combinados depende de escolher um sistema ou uma marca de software. Outra busca comum é por um sistema integrado para loja física e virtual, e a resposta honesta é que a ferramenta vem depois. Primeiro vem a regra: um estoque, um preço, uma política de troca e uma pessoa responsável por zelar por isso. Com a regra clara, a escolha da ferramenta fica fácil. Sem ela, nem a mais cara resolve.
Quando abrir o primeiro ponto físico cabe no momento da sua loja
Não existe faturamento mínimo que torne o ponto físico obrigatório. O relatório NuvemCommerce 2026 mostra que só 13% dos lojistas dependem exclusivamente da loja virtual e que 73% usam o WhatsApp como canal complementar. A decisão depende do produto, da concentração de clientes por região e da capacidade de sustentar o custo fixo.
O dado dos canais mostra que quase nenhuma loja vive de uma porta só. A grande maioria já vende por mais de um caminho, e o WhatsApp é o mais comum deles, o que faz sentido: é a conversa que tira a dúvida, manda a foto e fecha o pedido. O ponto físico entra nessa mesma lógica, como mais uma porta, e não como substituto das outras.
O relatório resume isso numa frase: “D2C e omnichannel são dois conceitos que caminham juntos, uma vez que a venda direta ao consumidor é feita em múltiplos canais, com diversas táticas.” Traduzindo os termos: vender direto para o consumidor final, sem intermediário, e fazer os canais funcionarem como uma loja só. Quem vende direto ao consumidor acaba, cedo ou tarde, recebendo esse cliente em mais de um lugar. A questão é se esses lugares conversam entre si.
Antes de pensar em balcão, vale ter resolvido as decisões de base do digital, como vender em marketplace ou em loja própria. O ponto físico se apoia nelas. Resolvida essa base, o momento certo varia conforme o tamanho da operação. Não há regra fechada, mas há sinais que ajudam a ler a hora.
Entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por mês
Nessa faixa, muitas lojas ainda são tocadas pelo dono e por uma equipe pequena. Um ponto físico significa alguém no balcão em horário comercial, todos os dias, e esse alguém costuma ser o próprio dono, que deixa de cuidar de compra, anúncio e fornecedor. O risco é alto.
Os sinais que valem atenção aqui são outros: quantas pessoas pedem para retirar ou ver o produto, quantos pedidos vêm da sua própria cidade e se o seu produto pede prova. Se esses sinais forem fortes, o primeiro passo pode ser mais leve que uma loja completa, como oferecer a retirada com horário marcado num espaço que você já tem, desde que ele receba bem o cliente. O teste mostra se a procura existe antes de você assinar qualquer contrato.
Entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês
Aqui a operação já costuma ter equipe e algum caixa para investir. A pergunta deixa de ser “consigo bancar?” e passa a ser “para que serve o meu balcão?”. Confiança, retirada e cliente novo pedem pontos diferentes. Um ponto pensado para retirada precisa de acesso fácil e de lugar para parar o carro por perto. Um ponto pensado para atrair cliente novo precisa de calçada movimentada pelo seu público. Um ponto pensado para confiança precisa, antes de tudo, de acabamento caprichado e de gente bem preparada no atendimento. Escolha o papel principal primeiro. O endereço vem depois.
Acima de R$ 100 mil por mês
Nessa faixa, mais da metade das lojas parecidas com a sua já tem endereço físico. A pergunta raramente é “devo abrir?”, e muito mais “como o balcão que eu tenho, ou vou ter, conversa com o site?”. O risco aqui não é abrir. É abrir uma loja que funciona como empresa separada, com estoque próprio, preço próprio e equipe que não sabe o que acontece no site.
Em qualquer faixa, um cuidado vale para todos: loja física não é receita certa. É uma decisão de momento, com custo fixo real e retorno que depende de produto, ponto e integração. Quem abre esperando que o balcão salve um mês ruim do site costuma descobrir que o aluguel chega antes do cliente.
Por onde começar a juntar loja física e online nesta semana
O começo mais seguro é medir antes de investir: contar quantos clientes pedem para retirar ou visitar, mapear onde eles moram, unificar preço e estoque e definir qual papel o balcão cumpriria. Para Santiago Sosa, CEO da Nuvemshop, “a fronteira entre físico e digital finalmente desapareceu”.
Nada disso exige obra, contrato ou contratação nesta semana. O começo é de olhar e de anotar. Aqui vão cinco movimentos que cabem na rotina, tanto para quem ainda não tem balcão quanto para quem já tem os dois lados funcionando separados:
- Conte as perguntas. A partir de hoje, anote cada vez que alguém pergunta se pode retirar, visitar ou trocar pessoalmente. Peça para quem atende no WhatsApp fazer o mesmo. Essa contagem é o termômetro mais honesto da procura por um ponto físico.
- Descubra onde está o seu cliente. Olhe os pedidos dos últimos meses por cidade e por bairro. Se uma parte grande se concentra numa região, ali existe um público que um balcão poderia atender sem frete.
- Arrume a casa antes de abrir outra porta. Se você já tem os dois lados, confira se o estoque tem um número só, se o preço é o mesmo na etiqueta e no site e se a troca funciona igual para quem comprou em qualquer um deles.
- Escolha o papel do balcão. Confiança, retirada ou cliente novo. Escreva qual é o principal. Essa resposta muda o endereço, o tamanho e o tipo de ponto.
- Mostre o que você já tem. Se a loja física existe, ela precisa aparecer no site: endereço, fotos do salão, horário e a opção de retirar. Se ainda não existe, mostre quem está por trás da loja virtual, com rosto e história.
Depois de algumas semanas, você terá algo que muita loja não tem na hora de decidir: números próprios sobre a procura pelo balcão, e não apenas a impressão de que todo mundo está abrindo loja.
Santiago Sosa encerra o relatório com uma frase que resume bem o espírito desta leitura: “A fronteira entre físico e digital finalmente desapareceu. Para o varejo de sucesso em 2026, a loja física, a loja virtual, os canais sociais e de chat se juntam numa única experiência que busca conveniência, velocidade, segurança, conexão emocional e logística de excelência.” O cliente já não enxerga essa fronteira. Quem ainda enxerga é a loja, quando trata balcão e site como dois negócios.
É esse mapa que a Refston monta primeiro quando assume a assessoria de marketing de uma loja: de onde vem cada cliente, quanto custa trazer cada um, o que o anúncio entrega e o que um balcão poderia entregar. Às vezes a resposta é abrir um ponto. Às vezes é integrar o que já existe. E às vezes é esperar, porque a loja ainda tem trabalho a fazer no digital antes de assumir um aluguel. Em qualquer caso, a decisão sai dos números da sua operação, e não da moda do mercado.
Se o balcão já está nos seus planos, ou se a sua loja física e online ainda funcionam como duas empresas separadas, escreva para a gente no WhatsApp dizendo qual das duas situações é a sua. A gente olha os números com você antes de qualquer contrato de aluguel.
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