Todo fim de mês, mais ou menos na mesma hora, acontece uma cena parecida em milhares de lojas do Brasil. O dono abre o aplicativo do banco, olha o saldo, faz uma conta de cabeça e decide quanto vai colocar em anúncio no mês seguinte. A decisão leva uns quinze segundos. E ela pesa mais no ano da empresa do que quase tudo o que vai ser feito nos trinta dias seguintes.
O problema nem é o valor escolhido. É a ordem em que ele é escolhido. Nessa cena, a verba de marketing é a última linha decidida, com o dinheiro que sobrou depois de todo mundo já ter sido pago. É a única despesa do negócio tratada desse jeito. Ninguém decide quanto vai comprar de estoque olhando o que sobrou no caixa. Ninguém decide o aluguel no dia 30. Só a divulgação recebe esse tratamento de resto.
Este texto trata exatamente disso: de onde sai a verba de marketing de uma empresa, quanto separar por mês sem sufocar o caixa, e como dividir esse valor entre as frentes que de fato trazem pedido.
Já aviso uma coisa aqui no começo, porque isso muda o que você espera das próximas linhas: você não vai encontrar aqui um percentual do faturamento para aplicar na sua empresa. Não é segredo guardado. É que esse número não sobrevive a duas lojas diferentes. Uma loja de suplemento e uma loja de joia podem faturar igual no mesmo mês e ter realidades opostas na hora de pagar as contas, porque o que sobra de cada venda não tem nada a ver. Aplicar a mesma régua nas duas é o tipo de conselho que soa profissional e quebra empresa.
O que você vai encontrar é outra coisa, e ela funciona em qualquer margem: o raciocínio de quanto cada venda deixa e de quanto disso o negócio aguenta devolver para conquistar o próximo cliente. Junto com esse raciocínio, os números reais do que os lojistas brasileiros separam por mês, que são dado medido, com fonte e link para você conferir.
Sem tutorial, sem passo a passo de plataforma, sem fórmula mágica. Conversa de caixa e de margem, que é o idioma de quem assina a conta no fim do mês.
Verba de marketing: o que é e o que não é
Verba de marketing é o valor que a empresa separa com antecedência para tudo o que serve para atrair, converter e manter cliente: mídia paga, produção de fotos e vídeos, ferramentas, e o serviço de quem cuida disso. Gasto com anúncio é uma parte dela, não o total.
Essa distinção parece detalhe de contador. Não é. Ela é a origem da maior parte da confusão que vem depois.
Na prática, a maioria dos lojistas usa duas expressões como se fossem a mesma coisa: “minha verba de marketing” e “quanto eu vou colocar no anúncio esse mês”. Quando as duas viram sinônimo, tudo o que não é anúncio fica sem dono. A foto nova do produto que precisava ser feita, a ferramenta de e-mail que venceu, o vídeo que ia substituir aquele criativo cansado, a pessoa que ia acompanhar os números. Nada disso tem lugar no orçamento, então acontece uma de duas coisas: ou não é feito, ou é tirado do meio do dinheiro do anúncio no dia 12, quebrando a única frente que já estava rodando.
Vale listar o que ocupa esse espaço de verdade, porque quase sempre falta alguma coisa na lista de quem faz essa conta de cabeça:
- A mídia paga. O valor que vai para as plataformas de anúncio. É a parte visível, e por isso é a única que costuma ser planejada.
- A produção. Foto, vídeo, texto, edição. É o que faz o anúncio funcionar depois que ele está no ar, e é a parte que mais barateia o resultado sem aumentar a fatura.
- As ferramentas. Plataforma da loja, disparo de e-mail, automação, ferramenta de medição. Custo pequeno por mês, mas custo fixo, e ele existe mesmo em mês fraco.
- O serviço. Quem opera, acompanha e corrige. Pode ser alguém de dentro, pode ser assessoria. De um jeito ou de outro, custa.
- O teste. A parte do dinheiro que existe para responder pergunta, não para trazer venda imediata. Quem não separa essa fatia acaba usando o dinheiro de venda para testar, e depois se frustra com os dois.
E existe o que a verba de marketing não é. Ela não é o saldo da conta de anúncio. Ela não é o valor que apareceu na fatura no fim do mês, porque isso é gasto medido depois, e verba é decisão tomada antes. Ela também não é o desconto que você deu na promoção, nem o frete grátis que você bancou, mesmo que os dois tenham custado dinheiro e tenham trazido pedido. Misturar promoção com verba é a forma mais rápida de perder a leitura das duas.
A regra que organiza isso é simples: verba é o que você decide, gasto é o que você mede. Se o número só existe depois que o mês acabou, você não tem verba. Você tem histórico.
Se o assunto para você ainda é entender como a mídia paga se encaixa no conjunto da operação de uma loja virtual, vale ler antes o nosso guia de tráfego pago para e-commerce, que trata do todo. Aqui, o recorte é o dinheiro da empresa.
De onde esse dinheiro sai: da margem, não da sobra do mês
A verba de marketing sai da margem de cada venda, não do saldo que sobra no fim do mês. Margem é o que resta do preço depois do custo do produto, do imposto, da taxa da plataforma e do frete. A decisão é quanto dessa margem o negócio devolve para conquistar o próximo cliente.

Aqui está o ponto que sustenta a matéria inteira, então vale ir devagar.
Faturamento é um número enganoso para decidir orçamento. Ele diz quanto entrou, não quanto ficou. Duas lojas que faturam o mesmo valor no mês podem ter uma diferença brutal no que resta para pagar as contas, e é o que resta que banca a divulgação. Por isso não faz sentido tirar a verba de um pedaço do faturamento: você estaria calculando o seu orçamento em cima de um número que não é seu de verdade. A parte que é sua é a margem.
Faça a conta com o produto que mais sai na sua loja, não com uma média inventada. Pegue o preço que o cliente paga. Tire o custo de compra ou de produção. Tire o imposto. Tire a taxa que a plataforma de pagamento cobra, lembrando que parcelamento cobra mais. Tire o frete na parte que você banca. Tire a embalagem. O que restou é o que aquela venda deixou de fato para a empresa.
Esse valor é o teto de tudo. É de dentro dele que sai o dinheiro para conquistar o próximo cliente, e é ele que responde se um cliente novo cabe ou não cabe no seu negócio hoje.
Agora a pergunta que ninguém gosta de responder: quanto desse valor você aceita devolver para trazer o próximo cliente?
Não existe resposta única, e quem te der uma está chutando com voz firme. A resposta depende de três coisas bem concretas da sua operação:
O cliente volta ou não volta? Se ele compra de novo em três meses, você pode devolver mais na primeira venda, porque a segunda chega quase sem custo de aquisição. Se ele compra uma vez na vida, aquela venda precisa se pagar sozinha. Duas lojas podem devolver a mesma fatia da margem e, para uma, isso é excelente negócio, enquanto para a outra é prejuízo em câmera lenta.
Você tem pressa? Empresa que precisa de volume agora, para girar um estoque parado ou para ocupar uma capacidade ociosa, aceita devolver mais e ganhar menos por venda. Empresa que está confortável escolhe o contrário. As duas decisões estão certas, em contextos diferentes.
A operação aguenta o volume? Trazer mais cliente do que a sua logística, o seu estoque e o seu atendimento suportam não é crescimento. É acumular reclamação com o seu próprio dinheiro.
Repare no que acabou de acontecer: sem nenhum percentual de faturamento, você já tem um teto real e três critérios para escolher onde ficar dentro dele. Isso é mais útil do que qualquer regra de bolso, porque foi construído com os números da sua loja, não com a média de um país inteiro.
E é justamente aqui que a maioria trava, porque essa conta pede um passo a mais: transformar “quanto sobra por venda” em “quanto posso pagar por cliente novo”. Esse passo tem método próprio, e a gente detalha ele em como calcular quanto você pode pagar por cliente. Sem isso, qualquer verba vira palpite bem-intencionado.
Quanto os lojistas brasileiros realmente separam por mês
Segundo o NuvemCommerce 2026: Insights pra sua marca fazer bonito, relatório anual da Nuvemshop com pesquisa de outubro a dezembro de 2025, 28% dos lojistas não investem em mídia paga, 33% investem menos de R$ 300 por mês, 17% de R$ 301 a R$ 1.000, 13% de R$ 1.001 a R$ 5.000 e 10% acima de R$ 5.000.
Esses números merecem uma leitura calma, porque eles não são um ranking. São um retrato de como o país decide orçamento.
Some as duas primeiras faixas e você tem 61% dos lojistas brasileiros que ou não colocam nada, ou colocam menos de trezentos reais por mês. Seis em cada dez. Essa é a sua concorrência real, não a marca gigante do seu segmento que aparece em todo canto e que você usa como régua para se sentir atrasado.
Agora a parte incômoda: a maior parte desses valores nunca foi decidida. Eles foram o que coube. São o resultado daquela conta de quinze segundos no aplicativo do banco, feita com o que sobrou, e não de uma escolha tomada em cima da margem do produto. Por isso as faixas de baixo são tão povoadas: não é que os lojistas brasileiros tenham concluído que trezentos reais é o valor certo para o negócio deles. É que trezentos reais foi o que apareceu.
Tem uma consequência prática nisso, e ela é dura. Um valor que aparece por acaso também desaparece por acaso. Ele não tem defesa no mês seguinte, porque não tem justificativa. Verba de marketing sem justificativa é a primeira a ser cortada em qualquer aperto, mesmo quando cortar é a pior decisão disponível.
Existem duas leituras desses dados, e as duas são verdadeiras ao mesmo tempo.
A primeira é encorajadora. A barra de entrada é mais baixa do que parece. Você não precisa de orçamento de multinacional para se destacar, porque a maioria absoluta do mercado está patinando na mesma faixa que você, e boa parte dela está patinando sem método nenhum.
A segunda é desconfortável. Os 10% que passam de cinco mil reais por mês não estão comprando só mais aparição. Estão comprando informação: descobrem antes qual produto vende, qual foto funciona, qual preço trava a compra. Quem tem mais tentativas por mês erra mais vezes e acerta mais cedo.
E uma ressalva de honestidade, porque ela importa: esses números dizem quanto os lojistas colocam, não quanto eles deveriam colocar. Não são recomendação, são retrato. A régua do que você deveria colocar continua sendo a margem do seu produto, e não a média do país.
O que muda quando a loja passa de R$ 100 mil por mês
Entre os lojistas que faturam acima de R$ 100 mil por mês, de 51% a 61% investem mais de R$ 10 mil mensais em mídia, 32% passam de R$ 30 mil e 11% ultrapassam R$ 50 mil. Apenas 9% não investem nada em mídia paga.
No mesmo relatório, tráfego pago aparece como a estratégia número 1 dos e-commerces milionários, citada por 88% deles. E o erro clássico ao ler esses números é achar que eles são uma meta a copiar. Não são. Eles são consequência, não causa.
Ninguém acorda faturando cem mil e decide, naquela manhã, que agora vai investir dez mil por mês. O caminho é o inverso e é bem menos glamouroso: a operação passa a tratar a divulgação como parte do custo de vender, começa a medir o que cada real devolve, e o valor sobe conforme o retorno se confirma e a estrutura aguenta. A verba de marketing cresce junto com a operação, não antes dela.
Isso importa muito para quem está embaixo na escala, porque significa que o caminho não é dar um salto. É que dar o salto sem estrutura é a forma mais cara de descobrir onde a sua operação quebra. Se hoje o seu estoque atende dez pedidos por dia com folga, colocar dinheiro suficiente para trazer cinquenta não vai gerar cinquenta vendas felizes. Vai gerar atraso, cancelamento, reclamação e um cliente que nunca mais volta. Você pagou para estragar a sua própria reputação.
O que muda de verdade quando a loja cresce não é só o número. É a categoria mental em que o dinheiro vive e o tipo de pergunta que se faz sobre ele.
Na loja pequena, a pergunta é “quanto dá para colocar esse mês?”. A resposta muda toda hora, o valor liga e desliga, e ninguém consegue dizer se funcionou.
Na loja grande, a pergunta é outra: “o que a verba do trimestre passado devolveu, e o que a gente muda no próximo?”. O valor é planejado, tem calendário de revisão e tem alguém responsável por ele. É a mesma diferença que existe entre comprar estoque no susto e comprar estoque com previsão de venda.
Aquele número dos 9% também diz algo que passa batido: entre os lojistas que chegaram no alto faturamento, praticamente todo mundo paga por atenção. Mídia paga não é o atalho de quem não tem público. É o combustível de quem já entendeu que alcance orgânico sozinho não sustenta crescimento.
A boa notícia é que a lógica que faz o grande funcionar é a mesma que faz o pequeno funcionar. Muda a escala, não o princípio. A parte que dá para copiar hoje, sem gastar um real a mais, é a disciplina de medição e de processo, que é o assunto das métricas e práticas de alta performance no e-commerce. Método não custa orçamento, custa constância.
Como dividir a verba entre as frentes, e não só entre anúncios
Dividir a verba por função rende mais do que dividir por plataforma. As funções são quatro: conquistar cliente novo, converter quem já chegou, reter quem já comprou e medir o que aconteceu. Segundo o NuvemCommerce 2026, o e-mail marketing é usado por 61% dos grandes lojistas e responde por 20% das vendas deles.
Esse dado do e-mail é o mais barato desta matéria inteira, e provavelmente o mais ignorado. Entre os lojistas pequenos, apenas 14% usam e-mail marketing. Entre os grandes, são 61%, e um quinto de tudo o que eles vendem passa por ali.
Pare um segundo nessa diferença. Não é uma frente cara. Não disputa leilão, não sofre reajuste de plataforma, não depende de algoritmo decidir se vai entregar. É falar com quem já comprou de você, já pagou, já recebeu e já sabe que a sua loja existe. E quase ninguém faz.
Essa é a lógica de dividir por função em vez de dividir por plataforma. Quando você pensa em plataforma, a conversa vira “quanto vai para o Instagram e quanto vai para o Google”. Quando você pensa em função, a conversa vira “qual parte do meu problema está mais cara agora”.
As quatro funções, no idioma do caixa:
Conquistar. É a parte que traz gente que nunca ouviu falar de você. É a mais cara, sempre, e é a única em que o preço é definido por terceiros. Também é a única que a maioria dos lojistas orça.
Converter. É o que acontece depois que a pessoa chegou. Foto do produto, descrição, velocidade da página, clareza do frete, quantidade de etapas até finalizar. Não aumenta a sua fatura de mídia em um centavo, e melhora o resultado de todo o dinheiro que você já está gastando. É a fatia com melhor relação entre esforço e efeito, e é a que mais fica de fora do orçamento.
Reter. É vender de novo para quem já comprou. E-mail, mensagem, recompra programada, pós-venda. Cliente que volta muda a conta inteira da primeira venda, porque ele permite que você aceite devolver mais margem para conquistar o próximo.
Medir. É a menor fatia em dinheiro e a que decide o destino de todas as outras. Sem ela, você não sabe qual frente carregou o mês, então corta no escuro quando o aperto chega.
Você deve estar esperando que eu diga quanto vai para cada uma. Não vou, e o motivo é o mesmo do começo desta matéria: qualquer divisão fixa que eu escrevesse aqui seria invenção, porque ela depende do gargalo da sua loja neste trimestre. Se muita gente entra e ninguém compra, o seu problema é converter, e colocar mais dinheiro em conquistar só aumenta o tamanho do vazamento. Se pouca gente entra e quem entra compra bem, é o contrário.
A pergunta que substitui a fórmula é esta: onde a sua loja está perdendo mais dinheiro hoje, na entrada, no meio ou na saída? A verba de marketing deste trimestre vai para lá. No trimestre seguinte, você refaz a pergunta, porque o gargalo se move.
O erro de tratar verba de marketing como sobra do mês
Verba de marketing definida pelo que sobrou no caixa desaparece no primeiro mês fraco, justamente quando ela faria mais falta. O corte reduz a procura no mês seguinte, o que reduz a sobra, o que reduz a verba de novo. O ciclo se fecha sozinho e a queda vira tendência.

Toda padaria compra farinha antes de vender pão. Ninguém, em nenhuma padaria do mundo, decide quanto vai comprar de farinha olhando o que sobrou no fim do mês, porque é a farinha que faz o pão que gera a sobra. A ordem é essa e não tem discussão.
Com a divulgação, a mesma pessoa inverte a ordem sem perceber. Trata o que traz cliente como consequência do resultado, e não como parte do que produz o resultado. Aí acontece o que sempre acontece.
Fevereiro vem fraco. O dono olha o caixa apertado e faz o que parece prudente: corta a verba pela metade. Em março, menos gente conhece a loja, então entra menos pedido. Com menos pedido, sobra menos ainda. Em abril, a verba cai de novo, agora não por decisão, mas por falta de opção. Em maio, a conclusão que se instala é a mais perigosa de todas: “anúncio não funciona para o meu produto”.
Funcionava. Só nunca teve chance de terminar uma frase.
Esse ciclo tem um custo escondido que quase ninguém contabiliza. Toda vez que você desliga e religa, as plataformas recomeçam o aprendizado delas do zero. Os primeiros dias de qualquer campanha são os mais caros e os menos eficientes, porque o sistema ainda está descobrindo para quem mostrar. Quem liga e desliga vive permanentemente nessa fase cara. Paga sempre o preço de entrada e nunca chega no preço de cruzeiro.
Existe também a versão espelhada do erro, e ela machuca igual. Vem o mês bom, a euforia bate, e o dono despeja dinheiro sem estrutura para acompanhar. Volume dobra, atendimento não dobra, estoque não dobra, e o mês seguinte vem cheio de troca e cliente irritado. Verba definida por humor sobe rápido demais e desce rápido demais. Nos dois sentidos, quem paga a conta é a operação.
O antídoto é chato e funciona: a verba de marketing entra no planejamento do mês junto com a compra de estoque, e não depois dela. Você não precisa de um valor grande. Precisa de um valor que você consiga manter em janeiro e em julho, em mês bom e em mês ruim, sem depender de como foi a semana passada. Um valor menor e constante entrega mais do que um valor maior e intermitente, porque só o constante acumula aprendizado.
E se o seu negócio não aguenta manter nenhum valor de forma constante, isso não é um problema de marketing. É um sinal de margem apertada ou de caixa desorganizado, e essa é a conta que precisa ser arrumada primeiro.
O aumento de custo que já entrou na sua conta em 2026
Desde 1º de janeiro de 2026, o custo dos anúncios da Meta no Brasil subiu 12,15%, segundo o E-Commerce Brasil. O aumento vem do repasse de tributos antes absorvidos pela plataforma: PIS e Cofins, que somam 9,25%, e ISS, de 2,9%. A fatura passou a discriminar valor de mídia e imposto em linhas separadas.
Nenhum aviso chegou por e-mail. Nenhum comunicado apareceu em letras grandes no seu painel. O que aconteceu foi mais silencioso e mais caro: o mesmo valor passou a comprar menos.
Traduzindo para o caixa. Se você separava mil reais por mês para anúncio e continuou separando mil reais, a sua verba de marketing encolheu na prática, mesmo que o número na sua conta bancária esteja igual. Uma fatia do valor que antes virava aparição na tela de alguém agora vira imposto. Você não decidiu cortar nada, mas cortou.
E é essa a parte que interessa para quem está decidindo orçamento: verba parada não é verba estável. Ela perde poder de compra sozinha, e não é só por causa desse repasse. O custo da mídia sobe quando entra mais concorrente na disputa, sobe em época de pico de vendas, e sobe quando o seu próprio anúncio cansa. Quem definiu um valor em 2024 e nunca mais revisou está com uma verba de marketing que, em capacidade real, é bem menor do que ela era.
A cobertura do E-Commerce Brasil sobre o reajuste traz um detalhe que vale ouro para o lojista: a fatura de 2026 passou a mostrar mídia e impostos em linhas separadas, coisa que não acontecia antes. Ou seja, isso não é teoria de blog de marketing. Está escrito no seu próprio documento, e você pode abrir e conferir hoje mesmo.
Registrando de onde vem o dado, com honestidade: é apuração de um veículo especializado do setor de e-commerce, e não comunicado oficial da plataforma. Mas é informação que você verifica na sua própria fatura, e o efeito no seu caixa é o mesmo.
Repare em quem sente mais. Um reajuste de 12,15% sobre uma verba grande é um arranhão que se absorve. O mesmo reajuste sobre trezentos reais parece pouco em valor absoluto, mas incide justo sobre quem já não tinha volume nenhum para trabalhar. É o corte que mais dói em quem já estava no limite, e é por isso que quem está embaixo na escala precisa revisar com mais frequência, não com menos.
Tem ainda um efeito de segunda ordem, e ele é o mais silencioso de todos: como o custo subiu para todo mundo ao mesmo tempo, o espaço não ficou vazio. Os concorrentes maiores absorveram o aumento e continuaram. Os menores diminuíram ou pararam. O resultado é um espaço mais caro e mais concentrado nas mãos de quem aguentou o tranco.
A lição prática é simples e serve para qualquer aumento futuro: quando você comparar o que investia antes com o que investe agora, desconte o reajuste antes de concluir que o resultado piorou. Resultado pior e custo maior são coisas diferentes, e cada uma pede uma decisão diferente.
Como revisar a sua verba a cada trimestre sem apertar o caixa
Revisar a verba é comparar, em calendário fixo, o que ela custou com o que ela devolveu, e ajustar valor ou composição. O trimestre é o intervalo mais útil: dá tempo suficiente para o aprendizado aparecer e é curto o bastante para corrigir antes que o erro fique caro no acumulado do ano.

Revisão mensal costuma ser barulho. Um mês tem feriado, tem sazonalidade, tem semana ruim por motivo aleatório, e reagir a isso faz você mexer no que estava funcionando. Revisão anual é tarde: doze meses de um valor mal calibrado é dinheiro que não volta. Três meses é o ponto em que o padrão já apareceu e o estrago ainda é reversível.
A revisão não é reunião longa nem planilha nova. São cinco perguntas, respondidas com número na mão.
A primeira: o que a verba devolveu? Não é quanto a loja vendeu no trimestre. É quanto daquilo aconteceu porque alguém foi impactado pelo que você pagou. Se você não consegue separar as duas coisas, essa é a tarefa do trimestre, antes de qualquer mudança de valor.
A segunda: a margem se manteve? Custo de produto muda, fornecedor reajusta, taxa de plataforma muda, frete muda. Se a margem encolheu e a verba ficou igual, você está devolvendo uma fatia maior do que decidiu devolver, sem ter tomado essa decisão.
A terceira: qual frente carregou o resultado? Entrada, meio ou saída. Foi conquistar, converter ou reter? A resposta define para onde o dinheiro do próximo trimestre vai, e ela muda mais do que a maioria imagina.
A quarta: algum custo mudou sem que você decidisse? O reajuste de 12,15% é o exemplo do ano, mas não é o único. Assinatura de ferramenta que subiu, frete que encareceu, taxa de parcelamento que mudou. Tudo isso sai do mesmo bolso.
A quinta: a operação aguenta mais volume? Se a resposta for não, o próximo trimestre não é de aumentar verba. É de arrumar estoque, logística e atendimento, para que o aumento seguinte não vire prejuízo com cara de crescimento.
Agora a parte do “sem apertar o caixa”, que é onde mora o detalhe mais esquecido desta matéria inteira: o descasamento de prazos.
O anúncio é pago praticamente à vista. A venda que ele traz, não. Se boa parte do seu faturamento vem de cartão parcelado, o dinheiro daquela venda entra ao longo dos meses seguintes, enquanto o custo da divulgação saiu do seu caixa agora. No papel, a conta fecha. No extrato, você pode passar aperto no meio de um mês em que tudo deu certo.
Por isso a verba de marketing precisa ser dimensionada pelo caixa, e não só pela margem. Duas regras práticas resolvem quase todo o problema:
- A verba de marketing precisa sobreviver a três meses fracos seguidos. Se o valor que você definiu só se sustenta quando o mês vem bom, ele não é uma verba. É uma aposta.
- A verba nunca depende de dinheiro que ainda não caiu. Orçamento que conta com o recebível da semana que vem é orçamento que vai ser cortado no susto quando qualquer coisa atrasar.
Um valor menor que você mantém firme por doze meses vale mais do que um valor maior que sobrevive dois. Constância compra aprendizado, e aprendizado é a única coisa que faz o próximo real render mais que o anterior.
É exatamente esse trabalho que a gente faz na Refston. Não é apertar botão nem prometer fórmula: é colocar a conta em ordem, entender o que a sua margem suporta devolver por cliente, definir uma verba que o caixa aguenta manter, dividir esse valor entre as frentes que estão travando o seu resultado agora, e revisar isso com você em calendário fixo, para o número parar de ser palpite.
Se você não sabe quanto separar por mês para marketing sem apertar o caixa, a resposta começa pelo que cada venda deixa na empresa. Converse com a gente pelo WhatsApp ou peça a sua análise no formulário logo abaixo e conte quanto você separa hoje, o que cada venda deixa e em que época o caixa costuma apertar.
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