Duas coleções novas, com o mesmo cuidado na foto, o mesmo tecido bom e o mesmo preço de etiqueta, entram no ar. A primeira esgota os tamanhos mais procurados no preço cheio, antes de a notícia chegar a quem não acompanha a marca. A segunda fica parada na vitrine e só começa a vender quando aparece um cupom de 20%. O produto é equivalente. O que separa uma da outra é o lançamento de produto.
A coleção que esgota quase nunca estreia para um público frio. Ela chega para gente que já estava esperando, avisada com antecedência e reunida num canal onde a loja fala direto com cada pessoa. Não por acaso, segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 44% das lojas de moda já usam grupo VIP. A coleção que depende do cupom faz o caminho oposto: aparece sem aviso, sem expectativa construída e sem nenhum motivo para comprar naquele momento que não seja o preço. E o desconto cobra a conta depois, porque a cliente aprende que, se esperar, a novidade sai mais barata, e a próxima coleção já nasce carregando essa expectativa.
O caminho da primeira coleção não exige verba de grande marca. Ele passa por aquecer a clientela antes da estreia, guardar quem levantou a mão num lugar onde você fala direto com a pessoa, trocar o cupom pelo acesso antecipado, preparar a loja para o dia da abertura e, principalmente, não abandonar a novidade nas semanas seguintes. É isso que você vai encontrar daqui para a frente, etapa por etapa, começando pelo que é, na prática, um lançamento bem feito.
O que é um lançamento de produto bem feito, na prática da loja
Lançamento de produto é o conjunto de ações que prepara o público, apresenta a novidade e sustenta a venda depois da estreia. Numa loja virtual, ele envolve aquecimento nas redes, uma lista de pessoas interessadas, uma abertura de vendas com dia marcado e o acompanhamento das semanas seguintes. Não se resume ao dia em que o produto aparece.
A diferença entre colocar um produto no ar e lançar um produto é a mesma que existe entre destrancar a porta da loja e fazer uma inauguração. No primeiro caso, entra quem passar por acaso. No segundo, tem gente esperando do lado de fora, porque alguém avisou, mostrou um pedaço do que vinha e deu um bom motivo para estar ali naquele dia, naquela hora.
Vale pensar em três fases. Antes, você constrói a expectativa e junta as pessoas interessadas num lugar onde consegue falar com elas diretamente. Durante, você abre a venda primeiro para essas pessoas e depois para todo mundo, com o site, o estoque e o atendimento prontos para o movimento. Depois, você mantém a novidade viva com a prova de quem comprou, com conteúdo novo e com o anúncio ajustado, até que ela vire parte fixa do catálogo ou encerre o ciclo de forma planejada.
Essa lógica serve para quase tudo o que uma loja pequena ou média coloca no mundo: a coleção de verão de uma marca de moda, o sérum novo de uma linha de cosméticos, a caminha que um pet shop passou a produzir, o sabor inédito de uma marca de suplementos, a linha de mantas de uma loja de decoração, a coleção de brincos de uma marca de acessórios. O tamanho do lançamento muda de um caso para o outro. O raciocínio, não.
E ele ganha peso num momento em que cada vez mais lojas produzem o que vendem. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, 16% dos lojistas fabricam tudo o que vendem e 27% misturam produção própria com revenda. Entre os negócios em expansão, mais de 62% investem em fabricação própria. Quem fabrica, lança. E quem lança sem método acaba entregando a própria criação com desconto logo na primeira semana, antes mesmo de o cliente ter tido tempo de conhecê-la.
Um esclarecimento antes de seguir: lançamento de produto não é a mesma coisa que campanha de data comemorativa. Na data, o calendário traz o motivo de compra pronto, e a loja só precisa aproveitá-lo. No lançamento, o motivo é a novidade em si, e quem precisa construí-lo é você. Por isso ele exige mais preparo, mas também devolve mais controle: a data de estreia é sua, o ritmo é seu e a narrativa também.
Por que lançar sem parar e com desconto cansa o cliente e a margem
Lançar novidade toda semana dilui a atenção do cliente, e abrir a venda com desconto ensina que vale a pena esperar. No relatório NuvemCommerce 2026, Letícia Vaz, CEO da LV Store e Head de Inovação em Moda da Nuvemshop, defende trocar o lançamento constante por curadoria explícita, com menos produtos. Na LV Store, ela cortou 300 códigos de produto.
Muita loja cai na armadilha contrária por um raciocínio que parece lógico: quanto mais produto novo, mais motivo para o cliente voltar. Na prática, o que acontece é outra coisa. A loja de acessórios que sobe trinta peças por semana faz cada peça ganhar um dia de atenção, um post perdido no meio de outros e nenhuma história. A cliente abre o site, vê tudo parecido com o que viu na semana anterior e fecha sem decidir.
O mesmo relatório mostra que 43% dos consumidores acham a compra online cansativa por causa do excesso de opções. Isso muda o papel de quem lança. Em vez de empilhar novidades, a loja passa a escolher: esta é a coleção da estação, estas são as seis peças que valem a sua atenção, esta é a razão de cada uma existir. Curadoria é um serviço prestado ao cliente, e ele percebe.
Existe também o custo que não aparece na hora. Cada lançamento consome foto, descrição, conteúdo, anúncio, conferência de estoque e atendimento. Segundo a pesquisa, 62% das lojas são tocadas por uma pessoa só, e entre quem fatura acima de R$ 20 mil por mês a falta de tempo aparece entre os principais desafios, citada por 49%. Lançar sem parar, nesse cenário, significa lançar tudo pela metade. Três lançamentos bem feitos no semestre costumam render mais atenção do que doze feitos às pressas.
Agora, o desconto. Ele não é vilão, mas tem lugar certo. Entre as promoções que as lojas usam para impulsionar vendas, o relatório aponta o desconto progressivo, do tipo leve mais e pague menos, usado por 27%, e o indica para aumentar o valor médio de cada pedido e girar estoque. Já o desconto alto, na recomendação de Lucas Santana, do Universo E-commerce, especialista ouvido no relatório, fica restrito a poucos produtos-âncora, para puxar visitas para a loja. Ou seja, desconto tem dois lugares certos: girar o que ficou parado no fim do ciclo, como mostramos na matéria sobre queima de estoque, e atrair gente com poucas peças escolhidas. Usado na coleção nova inteira, logo na estreia, ele faz o contrário do que deveria.
Quando a novidade já nasce com cupom, três coisas acontecem ao mesmo tempo. A margem que pagaria o anúncio, a embalagem caprichada e a próxima produção sai do seu bolso. A cliente que comprou cedo, no preço cheio, descobre que pagou mais do que quem esperou. E a base inteira aprende a lição de que a sua loja sempre baixa o preço, então basta aguardar. Um lançamento de produto saudável faz a pessoa querer ser a primeira, e não a mais esperta.
O aquecimento: as semanas antes de a novidade chegar à vitrine
Aquecer é fazer o cliente saber que algo novo está chegando e desejar ver antes mesmo de poder comprar. Na prática, são algumas semanas de prévia nas redes, com bastidor, detalhes do processo e pedaços do produto, sempre convidando quem se interessou a entrar numa lista para ser avisado primeiro quando a venda abrir.

Pense no aquecimento como a vitrine coberta com papel antes da inauguração. Todo mundo que passa sabe que tem algo ali, e a curiosidade trabalha a seu favor. Nas redes, isso vira conteúdo de bastidor: a escolha do tecido, a primeira prova, a amostra que não ficou boa e foi refeita, o detalhe da costura, a textura do creme na mão, o cachorro testando a caminha antes de todo mundo.
Esse conteúdo funciona porque é onde o cliente está olhando. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 65% dos consumidores descobrem marcas por anúncios nas redes sociais. Ou seja, a maior parte das pessoas vai conhecer a sua novidade num anúncio que aparece no meio do feed, entre um vídeo e outro, e não procurando por ela. O aquecimento é a chance de transformar essa passagem distraída em interesse de verdade.
O especialista Vitor Meirelles, sócio e diretor de operações da Pandorium, ouvido no relatório, observa que o conteúdo gerado pelo cliente “traz um caráter orgânico aos anúncios para uma onda de usuários já cansada de tanta propaganda vazia” e que “muitas marcas apostaram no founder-creator, o dono que também é a cara da sua marca”. Para um lançamento, isso é um presente. Quem melhor para contar por que uma coleção existe do que quem a desenhou? A dona de uma marca de cosméticos que aparece explicando por que demorou oito meses para acertar a fórmula cria uma conexão que nenhuma foto de estúdio cria sozinha.
O vídeo entra forte aqui. De acordo com a pesquisa, 29% das lojas usaram vídeo de produto no site em 2025, e 49% colocam esse recurso como prioridade para 2026. Na moda, os números sobem para 32% e 50%. Quem já está gravando bastidor para o aquecimento tem metade do material pronto para a página do produto no dia da estreia.
Algumas regras simples mantêm o aquecimento no rumo:
- Mostre pedaços, não o produto inteiro. O detalhe de uma estampa, a cor de uma tampa, a silhueta de uma peça no escuro. A revelação completa fica para a lista.
- Dê um nome e um dia. Coleção sem nome e sem data não gera expectativa. Diga quando abre, mesmo que seja só a semana.
- Termine cada conteúdo com um único convite: entrar na lista para ver primeiro. Um pedido por vez.
- Converse com quem responde. Cada comentário perguntando preço, tamanho ou cor é alguém pronto para entrar na lista. Responda e convide.
Um cuidado importante: aquecimento não é promessa vazia. Se você anunciar uma coleção para daqui a duas semanas, ela precisa estar pronta daqui a duas semanas. Atraso no lançamento esfria a expectativa que você passou semanas construindo, e a lista começa a achar que foi enganada.
Lista de espera, grupo VIP e e-mail: onde guardar quem levantou a mão
A lista de espera reúne as pessoas que demonstraram interesse durante o aquecimento, num canal em que a loja fala direto com elas, sem depender do alcance das redes. Os formatos mais usados são o grupo VIP no WhatsApp, a lista de transmissão e o cadastro de e-mail, e muitas lojas combinam dois deles.
A razão de existir uma lista é simples: o post que você publica hoje aparece para uma parte pequena de quem segue a loja, e você não controla qual parte. Já a mensagem que chega no WhatsApp ou na caixa de entrada de quem pediu para ser avisado tem endereço certo. No dia da abertura, essa diferença decide se as primeiras vendas acontecem em minutos ou se ficam esperando o algoritmo.
O relatório NuvemCommerce 2026 mostra como as lojas brasileiras dividem essa tarefa. Entre as estratégias de marketing preferidas dos lojistas, numa pergunta em que cada um podia marcar mais de uma, os grupos VIP no WhatsApp ou no Telegram aparecem com 36%, o e-mail marketing com 17% e as automações e listas de transmissão no WhatsApp com 15%. Na moda, o grupo VIP é ainda mais comum: 44% das lojas usam, contra 36% no conjunto dos lojistas. O WhatsApp é canal complementar de venda para 73% das lojas, e 60% dos consumidores digitais preferem falar com as marcas pelo WhatsApp, segundo a pesquisa E-consumidor 2026, citada no relatório.
O grupo VIP é o formato mais quente. Quem entra ali quer novidade, gosta de se sentir parte de um círculo próximo e responde rápido. Para um lançamento, ele funciona como sala de espera: você mostra a revelação completa antes de todo mundo, tira dúvidas em tempo real e abre a venda primeiro para quem está lá dentro. Montar e cuidar desse grupo no dia a dia é um assunto à parte, que detalhamos na matéria sobre grupo VIP no WhatsApp.
O e-mail é o formato mais subestimado. Segundo a pesquisa, só 14% das lojas pequenas usam o canal de forma ativa, contra 61% das grandes, e entre as grandes ele responde por 20% das vendas. Essa distância diz muito. O e-mail aguenta mais informação do que uma mensagem de WhatsApp, fica guardado para ser relido e não depende de a pessoa estar com o celular na mão naquela hora. Se você ainda não tem esse canal organizado, a matéria sobre e-mail marketing para loja virtual mostra por onde começar.
Qual escolher? Depende do seu cliente e do seu fôlego. Uma loja de moda na faixa de R$ 20 mil a R$ 50 mil por mês, com a dona fazendo quase tudo, costuma se dar melhor com um grupo pequeno e muito ativo. Uma operação acima de R$ 100 mil, com equipe, consegue sustentar grupo e e-mail juntos, cada um com seu papel. O que não funciona é criar três canais e abandonar dois.
Alguns cuidados valem para qualquer formato. Peça só o necessário para o cadastro, nome e contato já bastam. Diga com clareza o que a pessoa ganha ao entrar: ver antes, comprar antes, escolher antes de esgotar. Envie mensagem apenas para quem autorizou receber. E use o tamanho da lista como termômetro do seu lançamento de produto: se ela cresceu pouco, talvez valha estender o aquecimento ou ajustar a expectativa de venda antes de produzir mais.
Acesso antecipado por janela curta: exclusividade no lugar do desconto
Acesso antecipado é liberar a compra da novidade primeiro para a lista de espera, por um período curto, antes da abertura para todo o público. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 44% das lojas de moda usam grupo VIP, e o próprio relatório recomenda liberar a coleção para esse grupo em janelas de 3 a 24 horas.

É aqui que o desconto perde a função. A pessoa que está na lista não precisa de preço menor para comprar, ela precisa de um motivo para comprar agora. E o motivo mais forte que existe numa coleção nova é chegar antes: escolher a cor preferida, garantir o tamanho certo, levar a peça que vai esgotar primeiro. Exclusividade tem valor, e esse valor não sai da sua margem.
A janela curta faz o trabalho de urgência de forma honesta. Uma coisa é dizer que a promoção acaba hoje e repetir a mesma promoção na semana seguinte. Outra é dizer que a lista tem acesso das 19h às 22h e, às 22h, abrir para todo mundo, exatamente como prometido. A primeira desgasta a sua palavra. A segunda a fortalece a cada lançamento.
Como escolher o tamanho da janela? Não existe número mágico, mas há um raciocínio útil. Drops pequenos, com poucas peças e público muito engajado, funcionam bem com janelas de poucas horas, porque a própria quantidade reduzida já cria pressa. Coleções maiores, ou lojas cujo cliente trabalha o dia inteiro e só olha o celular à noite, pedem uma janela mais longa, perto de um dia, para ninguém da lista ficar de fora por causa do horário.
Para a janela funcionar na loja virtual, o relatório sugere duas formas simples de liberar a compra só para a lista: uma senha de acesso ou um link para uma categoria oculta, que só quem está no grupo recebe.
Uma sequência simples de mensagens resolve a comunicação da janela:
- Na véspera, um aviso com o horário exato de abertura e uma última prévia.
- Na abertura, a revelação completa e o link direto para a coleção.
- No meio da janela, um lembrete curto, de preferência mostrando o que está saindo mais.
- Pouco antes do fim, o aviso de que o acesso exclusivo vai encerrar e a venda vai abrir para todos.
Se quiser agradar a lista além da prioridade, prefira mimos a descontos: uma embalagem especial, um bilhete escrito à mão, uma amostra de outro produto da marca, um brinde pequeno que combine com a coleção. O cliente sente o cuidado e a margem agradece. Numa marca de suplementos, por exemplo, uma dose do sabor que ainda vai ser lançado vale mais como gesto do que alguns reais de abatimento.
Há ainda um efeito de longo prazo. Segundo a pesquisa, 60% dos consumidores querem participar de programas de fidelidade, mas só 4% das lojas oferecem algum. Uma lista que ganha acesso antecipado a cada lançamento de produto funciona, na prática, como o começo de um programa de fidelidade: quem está nela sente que pertence a um grupo com vantagens reais. Um detalhe final e inegociável: escassez precisa ser verdadeira. Se disser que são trinta unidades, tenha trinta.
O dia da estreia: o que precisa estar pronto antes de abrir a venda
No dia da estreia, a loja precisa estar pronta para receber o pico de interesse: produto cadastrado com fotos, vídeo e informação completa, estoque conferido, atendimento reforçado no WhatsApp, anúncio aprovado e mensagem para a lista programada. Qualquer falha nesse dia custa a venda de quem esperou semanas para comprar.

Imagine a cena pelo lado da cliente. Ela entrou na lista, acompanhou o bastidor, recebeu a mensagem às 19h em ponto e clicou no link. Se a página demora a carregar, se a foto não mostra o caimento, se o tamanho dela aparece como indisponível por um erro de cadastro ou se ninguém responde a dúvida no WhatsApp, toda a expectativa construída se transforma em frustração em poucos minutos.
O relatório NuvemCommerce 2026 lista os motivos que fazem o consumidor desistir da compra, e eles servem de checklist para o dia da abertura. Frete caro é citado por 57%, prazo longo por 35%, falta de informação sobre a empresa por 18%, troca confusa por 14% e site lento também por 14%. Cada um desses pontos precisa estar resolvido antes da mensagem sair para a lista.
Na prática, a véspera do lançamento pede uma conferência completa:
- Página de cada produto com fotos de vários ângulos, vídeo curto de uso, medidas ou modo de uso detalhados e o preço visível.
- Estoque conferido item por item no sistema, para não vender o que não existe.
- Frete e prazo claros antes do carrinho, sem surpresa na última etapa.
- Política de troca escrita de forma simples e fácil de achar.
- Pessoa dedicada ao WhatsApp durante a janela, com respostas prontas para as perguntas mais prováveis.
- Mensagens para a lista escritas e revisadas com antecedência.
O atendimento merece atenção especial. Segundo o estudo Chat Commerce Report 2025, citado no relatório, a conversão numa conversa pelo WhatsApp chega a até 6 vezes a do e-commerce tradicional. Em dia de lançamento, a cliente tem dúvida de tamanho, de cor, de combinação, de prazo, e quem responde rápido vende. Se a sua loja fatura acima de R$ 50 mil por mês e já tem equipe, vale deslocar alguém só para isso naquele dia. Se é você quem responde, bloqueie a agenda.
O capítulo de moda do relatório resume a ideia numa frase: a sacolinha é o fim do preço no direct, ou seja, preço visível e carrinho pronto no lugar do valor passado só por mensagem. Num lançamento, isso pesa ainda mais: a pessoa que precisa perguntar o preço de cada peça desiste antes de montar o carrinho.
Uma live de abertura pode ser um bom complemento. Segundo a pesquisa, só 8% das lojas fizeram live commerce em 2025, mas 30% pretendem fazer em 2026. Mostrar a coleção ao vivo, provar as peças, aplicar o produto na pele e responder perguntas em tempo real aproxima a experiência da loja física, com a vantagem de alcançar a lista inteira de uma vez.
Por fim, calibre a expectativa. A taxa média de conversão das lojas virtuais fica em 0,75% para quem fatura até R$ 100 mil por mês e em 1,17% acima disso, segundo o relatório. Uma lista aquecida tende a converter melhor do que um visitante frio, mas a maioria das pessoas que clicam não compra no primeiro dia, e isso não significa que o lançamento de produto falhou. Muita gente só decide depois de ver quem comprou primeiro.
O anúncio de lançamento precisa de alguns dias para aprender
Quando um anúncio novo começa a rodar, a plataforma passa por um período de ajuste em que testa para quem entregar a peça. A Central de Ajuda da Meta chama esse intervalo de fase de aprendizado e explica que o desempenho costuma oscilar enquanto ele dura. Julgar o anúncio de lançamento pelo primeiro dia leva a decisões erradas.
Em linguagem de dono: nos primeiros dias, a plataforma ainda não sabe quem tem mais chance de comprar a sua novidade. Ela mostra o anúncio para perfis variados, observa quem clica, quem coloca no carrinho, quem compra, e vai afinando a entrega. Durante esse período, o custo por venda costuma ficar instável, às vezes alto, às vezes surpreendentemente baixo. Nenhum dos dois extremos diz a verdade sobre o anúncio.
A própria Meta, na página sobre a fase de aprendizado da Central de Ajuda para Empresas, orienta a evitar mudanças significativas no anúncio enquanto ele aprende, porque cada alteração relevante faz o sistema recomeçar do zero. É exatamente o erro mais comum em lançamento: o dono vê um dia fraco, troca a imagem, dobra a verba, muda o público, e o anúncio nunca sai do período de teste.
Isso tem uma consequência prática para o calendário do lançamento. Se o anúncio só começa a rodar no dia da estreia, os primeiros dias da venda, que são justamente os mais importantes, coincidem com o período em que ele ainda está aprendendo. Uma saída é começar a anunciar durante o aquecimento, com a peça de bastidor convidando para a lista de espera. Assim, quando a venda abre, o sistema já conhece melhor quem se interessa pela sua marca.
Vale separar dois públicos com mensagens diferentes. Para quem já conhece a loja, seguidores e visitantes recentes, o anúncio pode ir direto à novidade e ao convite para comprar. Para quem nunca ouviu falar de você, a peça precisa apresentar a marca antes de apresentar a coleção. Misturar os dois numa mensagem só costuma não servir bem a nenhum.
O canal onde isso acontece, para a maioria das lojas, é o Instagram. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, o Instagram Ads lidera a mídia paga com 63% de preferência entre os lojistas. E anunciar ficou mais caro: desde 1º de janeiro de 2026, o custo dos anúncios da Meta no Brasil subiu 12,15% com o repasse de PIS/COFINS e ISS. Cada dia de verba desperdiçado com decisões precipitadas pesa mais do que pesava.
A disciplina que funciona é simples de enunciar e difícil de cumprir: defina antes do lançamento quanto vai investir e por quantos dias, combine consigo mesmo que só vai julgar o resultado depois desse período e resista à vontade de mexer todo dia. Se quiser entender como o anúncio pago se encaixa no conjunto da loja, a nossa matéria sobre tráfego pago para e-commerce organiza esse raciocínio do começo.
As semanas seguintes: como manter a novidade vendendo depois da estreia
Depois da estreia, o trabalho é transformar a novidade em produto estabelecido: reunir avaliações e fotos de quem comprou, produzir conteúdo com o uso real, ajustar o anúncio com o que se aprendeu e decidir o que repor. É nessa fase que muitos lançamentos morrem, porque a loja já está pensando no próximo.
O erro mais frequente é tratar o lançamento como um evento de um dia. A venda da janela exclusiva e da abertura acontece, o movimento cai naturalmente na semana seguinte e o dono conclui que a coleção já deu o que tinha que dar. Na verdade, a maior parte do público nem ficou sabendo dela ainda. Quem não estava na lista, quem viu de passagem e quem estava esperando a opinião de alguém continua lá fora.
Essa opinião de alguém é o combustível das semanas seguintes. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, quase 60% dos consumidores decidem a compra pela avaliação de outros clientes. Por isso, a primeira tarefa depois da estreia é pedir, com jeito, que quem comprou conte como foi. Uma mensagem pessoal alguns dias após a entrega, perguntando se a peça serviu e se a cliente toparia mandar uma foto, rende o material mais valioso do lançamento inteiro.
Esse material vira conteúdo e vira anúncio. A foto da cliente usando o vestido num casamento, o vídeo curto de alguém aplicando o sérum pela manhã, o cachorro dormindo na caminha nova: tudo isso convence mais do que a foto de estúdio, porque mostra o produto na vida real. A mesma pesquisa aponta que 47% dos consumidores querem recomendações alinhadas ao próprio perfil, então vale mostrar pessoas diferentes usando a novidade de jeitos diferentes.
Uma sugestão de ritmo para o primeiro mês ajuda a não perder o fio:
- Primeira semana: agradecer a lista, pedir avaliações e acompanhar as dúvidas que chegaram no atendimento.
- Segunda e terceira semanas: publicar o conteúdo real dos clientes, ajustar o anúncio com o que já foi aprendido e responder às objeções que apareceram.
- Quarta semana: fazer o balanço de quais peças saíram, quais pararam e por quê, e decidir o que repor, o que ajustar e o que encerrar.
E o desconto? Ele continua fora da conversa por um bom tempo. Baixar o preço duas semanas depois da estreia é trair justamente quem confiou primeiro, pagou o preço cheio e está na sua lista para o próximo lançamento. Se alguma peça encalhar de verdade, ela entra no planejamento de fim de ciclo, com tempo e com critério, e não num cupom de pânico na terceira semana.
O balanço do mês também prepara o próximo lançamento de produto. Qual conteúdo de aquecimento trouxe mais gente para a lista? A janela de acesso antecipado foi curta demais ou longa demais? Qual pergunta se repetiu no WhatsApp e deveria estar na página? Em quantos dias o anúncio estabilizou? Cada resposta deixa o ciclo seguinte mais leve e mais previsível. Com três ou quatro lançamentos por ano bem conduzidos, a loja passa a ter um calendário próprio de novidades, em vez de viver correndo atrás do próximo cupom.
Montar esse calendário, aquecer a lista, planejar a janela e dar ao anúncio o tempo de aprender é o tipo de trabalho que fazemos lado a lado com as lojas que atendemos na Refston. Se a sua próxima coleção está chegando e você quer que ela venda pelo que é, e não pelo desconto, chame a gente no WhatsApp e conte como está o seu planejamento. A conversa é sem compromisso.
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