Dona de loja de acessórios segurando uma bolsa no escritório da loja, pensando em como precificar produto para cobrir os custos da venda e ainda ter lucro.

Como precificar produto e parar de vender no prejuízo: o preço que paga custo, imposto, frete e anúncio e ainda dá lucro

O produto custa R$ 50 e vai para a vitrine por R$ 100. A conta de cabeça é rápida: vendi pelo dobro, então sobra metade, R$ 50 no bolso a cada venda. Certo? É a conta que muita loja faz na hora de cadastrar um item novo, e ela parece tão óbvia que ninguém volta para conferir.

Agora refaça a mesma conta com o que sai de cada venda, usando percentuais de exemplo, só para enxergar o mecanismo. O imposto de 8% sobre os R$ 100 leva R$ 8. A taxa do meio de pagamento, de 5%, leva R$ 5. O anúncio que trouxe o cliente, equivalente a 12% da venda, leva R$ 12. O frete que a loja decidiu bancar leva mais R$ 10. Dos R$ 50 que pareciam lucro, sobram R$ 15, e isso antes de pagar o aluguel, o sistema da loja e a pessoa que embala o pedido. A metade que parecia sobrar virou 15% do preço.

É por isso que tanta loja fatura bem e, ainda assim, sente que trabalha só para pagar conta. Saber como precificar produto não é detalhe de planilha: é a diferença entre vender muito e ganhar dinheiro vendendo. O preço certo precisa pagar o que você comprou, o imposto, a taxa de quem processa o pagamento, o frete, o anúncio que trouxe o cliente e ainda deixar sobra. E, do outro lado da tela, precisa ser um valor que o cliente olha e aceita pagar sem sair para procurar em outra loja.

Nas próximas seções você vai ver por que o preço decidido no olho parece certo e falha, o que precisa caber dentro dele, como o anúncio mais caro de 2026 mudou essa conta e um método simples, em linguagem de dono, para chegar a um número que fecha. Tem exemplo de conta do começo ao fim, para você refazer com os valores da sua loja ainda hoje.

Como precificar produto sem perder dinheiro em cada venda

Precificar um produto é definir o valor de venda a partir de tudo o que a venda consome: custo da mercadoria, embalagem, frete, imposto, taxa do meio de pagamento, anúncio, uma parte das despesas fixas da loja e o lucro desejado. O preço final também precisa caber no valor que o cliente considera justo para aquele produto.

Parece óbvio escrito assim, mas na prática pouca gente monta o preço nessa ordem. O caminho mais comum é o inverso: o dono olha o custo do fornecedor, aplica um multiplicador que aprendeu com alguém (dobrar, somar metade, multiplicar por dois e meio) e confere se o número ficou bonito na vitrine. Esse multiplicador (o famoso markup) até dá conta do recado quando a venda acontece no balcão, com pouca despesa por pedido. Na loja virtual, cada pedido carrega uma fila de custos que o balcão não conhece.

Pense em cada venda como um valor que se divide antes de chegar ao seu bolso. Uma fatia vai para o governo. Outra fica com quem processou o cartão ou o Pix. Outra paga o anúncio que fez a cliente clicar. Outra cobre a transportadora, quando a loja banca parte do frete. Outra ajuda a pagar o aluguel, o sistema da loja e a pessoa que embala. Só o que resta depois de todas essas fatias é lucro. Se o preço foi decidido sem enxergar essas fatias, ele pode estar bonito na vitrine e negativo no extrato.

Por isso a pergunta certa não é “quanto eu cobro a mais em cima do custo”. A pergunta certa é “quanto o cliente precisa pagar para que, depois de tudo sair, sobre o lucro que eu quero”. Parece só troca de palavras, mas muda o resultado. Na primeira pergunta, o lucro é o que sobrar, se sobrar. Na segunda, o lucro é uma fatia reservada desde o início, com o mesmo peso de qualquer outra despesa da loja.

Entender como precificar produto desse jeito não exige planilha complicada nem curso de finanças. Exige três coisas: saber quanto custa colocar aquele item na mão do cliente, saber quais percentuais saem de cada venda e decidir, com honestidade, quanto você quer ganhar. O resto é uma conta de dividir, que aparece passo a passo mais adiante, com um exemplo que você pode copiar para o seu caderno.

Vale separar desde já dois assuntos que costumam se misturar. Uma coisa é o preço de cada produto, que é o tema aqui. Outra é saber se a loja inteira, somando tudo no fim do mês, fecha no azul. Os dois conversam, mas não são a mesma pergunta. Se a sua dúvida hoje é a segunda, vale ler também o nosso guia sobre como saber se a loja dá lucro, que olha o negócio de cima, e não produto por produto.

Por que o preço decidido no olho parece certo e não fecha a conta

O preço decidido no olho costuma nascer do custo do fornecedor multiplicado por um fator fixo, sem considerar as despesas que saem de cada venda. Ele parece certo porque cobre o custo da mercadoria, mas ignora imposto, taxa, frete e anúncio, que juntos podem consumir uma parte grande do valor recebido.

O motivo de ele enganar é simples: o dinheiro entra, o caixa gira e a sensação é de que está tudo bem. O prejuízo de cada pedido é pequeno, às vezes de poucos reais, e se esconde no meio de dezenas de outras despesas do mês. Ninguém sente a perda na hora da venda. Ela aparece semanas depois, quando o saldo não acompanha o movimento, e aí já é difícil saber de onde veio.

Esse não é um problema raro nem coisa de loja desorganizada. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, entre as lojas que faturam acima de R$ 20 mil por mês, a gestão de processos e custos é um dos maiores desafios para 35% delas, e o alto custo em marketing aparece como problema para 33%. Na mesma faixa, 5% das lojas nem apuram o lucro. Entre as lojas menores, a falta de capital e o baixo retorno pesam para 47%. Boa parte dessa sensação de “vendo e não sobra” começa num preço que nunca foi montado de verdade.

Veja um exemplo hipotético, com números redondos só para enxergar o mecanismo. Uma loja de acessórios compra uma bolsa por R$ 60 e gasta R$ 4 com embalagem e cartão de agradecimento. Custo total na mão: R$ 64. A dona aplica a regra que aprendeu, soma metade e coloca a bolsa à venda por R$ 96. Parece uma margem confortável de R$ 32. Agora veja o que acontece com esses R$ 96 quando a venda sai pela loja virtual, com percentuais de exemplo:

  • Imposto de 8% sobre a venda: R$ 7,68.
  • Taxa do meio de pagamento de 5%: R$ 4,80.
  • Anúncio equivalente a 12% da venda: R$ 11,52.
  • Parte das despesas fixas da loja, 10% da venda: R$ 9,60.
  • Frete que a loja decidiu bancar: R$ 10,00.

Somando tudo com os R$ 64 do produto, cada bolsa vendida custa R$ 107,60 para a loja. Vendida a R$ 96, ela deixa um buraco de R$ 11,60 por pedido. Quanto mais a bolsa vende, maior o buraco. É a mesma armadilha da conta de cabeça do começo, e por isso o mês de mais pedidos pode virar o mês de menos dinheiro.

Repare que nenhum desses gastos é exagerado, e nenhum foi esquecido por descuido grave. O erro está só na ordem da conta. Os 50% foram somados em cima do custo, mas o imposto, a taxa e o anúncio são cobrados em cima do preço de venda. Metade do custo não é metade do preço, e essa diferença silenciosa come a margem que parecia garantida. Quem aprende como precificar produto na ordem certa não cai mais nessa armadilha.

Há ainda um segundo motivo para o preço no olho falhar: ele costuma ser igual para o catálogo inteiro. A mesma regra vale para o cinto barato e para a bolsa mais cara, como se os dois tivessem o mesmo frete, o mesmo peso de anúncio e o mesmo risco de troca. Na loja que fatura entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês, com dezenas de produtos no ar, isso cria um catálogo em que alguns itens carregam os outros nas costas, e o dono não sabe quais são.

O terceiro motivo é o tempo. O preço foi decidido uma vez, lá atrás, e nunca mais foi revisto. Nesse meio-tempo o fornecedor reajustou, a embalagem ficou mais caprichada, a loja passou a oferecer frete grátis acima de certo valor e o anúncio encareceu. Cada mudança, sozinha, parecia pequena. Juntas, elas transformaram um preço que já foi bom em um preço que hoje paga para vender.

Tudo o que precisa caber dentro do preço

Dentro do preço de venda precisam caber dois tipos de gasto: os valores em reais de cada unidade, como custo da mercadoria, embalagem e a parte do frete que a loja assume, e os percentuais que saem de cada venda, como imposto, taxa do meio de pagamento, anúncio, despesas fixas divididas e o lucro planejado.

Empresária e funcionário conferindo na bancada a bolsa, a caixa, o papel de seda, o envelope de envio e a maquininha que entram no custo de cada pedido.

Começando pelos valores em reais, que são os mais fáceis de enxergar:

  • Custo do produto. O que você paga ao fornecedor ou gasta para fabricar, incluindo o frete da compra até a sua loja. Se você compra em lote e paga o transporte à parte, divida esse transporte pelas unidades do lote.
  • Embalagem. Caixa, papel de seda, sacola, etiqueta, fita, o cartão de agradecimento e o mimo que acompanha o pedido. Parece pouco por unidade, mas em volume faz diferença.
  • A parte do frete que a loja assume. Se você oferece frete grátis ou paga parte dele, esse valor é custo daquela venda, e não uma despesa geral do mês.

Depois vêm os percentuais, que saem de cada venda e crescem junto com o preço:

  • Imposto. Para a maioria das lojas pequenas e médias, ele é calculado sobre o faturamento, com percentual que muda conforme a atividade e a receita dos últimos doze meses. As regras estão no Portal do Simples Nacional, da Receita Federal, e quem deve dizer o seu percentual real é o seu contador. O que importa aqui é que ele entra na conta do preço, e não depois dela.
  • Taxa do meio de pagamento. Cartão à vista, cartão parcelado, Pix e boleto têm custos diferentes. O parcelamento sem juros para o cliente costuma ter juros para a loja, e isso também precisa estar no preço. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, 43% das lojas oferecem parcelamento sem juros.
  • Anúncio. Quanto você gasta, em média, em mídia para cada real vendido, expresso como percentual do preço. É o item que mais mudou em 2026 e ganha uma seção só para ele logo abaixo.
  • Despesas fixas divididas pelas vendas. Aluguel, salários, contador, sistema da loja, internet, energia. Elas não dependem de cada pedido, mas alguém precisa pagá-las, e esse alguém é o preço de cada produto. Divida o total mensal dessas despesas pelo faturamento médio e você terá um percentual aproximado.
  • Reserva para trocas e devoluções. Uma pequena fatia para cobrir o frete de volta e o produto que não pode ser revendido.
  • Lucro. A fatia que você decide guardar para você e para reinvestir. Ele entra na lista como qualquer outra despesa, e não como sobra.

O frete merece um cuidado especial porque pesa dos dois lados. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, o frete caro é o principal motivo de desistência da compra, citado por 57% dos consumidores. Não por acaso, o mesmo relatório mostra que 58% das lojas oferecem frete grátis, chegando a 74% entre as grandes. Então não dá para simplesmente empurrar o frete inteiro para o cliente, e também não dá para bancá-lo sem colocá-lo no preço. A decisão de quanto do frete a loja absorve é, na prática, uma decisão de preço.

Se você quiser um levantamento mais completo de cada gasto de vender pela internet, com plataforma, sistema e outros itens que não entram por unidade, fizemos esse mapa no guia quanto custa vender online. Aqui, o foco é outro: como precificar produto a partir desses gastos, transformando cada um em uma fatia do preço que fecha.

Uma dica prática para quem tem loja física e virtual ao mesmo tempo: faça a conta separada para cada canal. No balcão não existe frete nem anúncio por pedido do mesmo jeito, e a taxa da maquininha pode ser diferente da cobrada na loja virtual. O mesmo produto pode ter um preço mínimo diferente em cada canal, e saber disso evita decisões no escuro, como dar no site o mesmo desconto que funciona bem na loja de rua.

O anúncio mais caro de 2026 também precisa entrar no preço

O custo do anúncio entra no preço como um percentual de cada venda: quanto a loja gasta em mídia, em média, para faturar cada real. Em 2026 esse percentual subiu para quem anuncia na Meta, porque os anúncios da plataforma no Brasil ficaram 12,15% mais caros desde 1º de janeiro, com o repasse de tributos.

Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, da Nuvemshop, o reajuste de 12,15% no custo dos anúncios da Meta no Brasil vale desde 1º de janeiro de 2026 e vem do repasse de PIS/COFINS e ISS. O E-Commerce Brasil também tratou o aumento como ponto de atenção para quem não quer perder dinheiro na estratégia de anúncios. Para a loja pequena e média, o efeito é direto: o mesmo resultado passou a custar mais, e quem não mexeu no preço está pagando essa diferença com o próprio lucro.

Esse reajuste pesa porque a maior parte das lojas concentra a verba justamente ali. Segundo o mesmo relatório, os anúncios no Instagram lideram a mídia paga, com 63% de preferência entre os lojistas, chegando a 81% entre os grandes. Ou seja, para boa parte das lojas, o principal canal de anúncio ficou mais caro de uma vez, no começo do ano, sem aviso na etiqueta de nenhum produto.

Para colocar o anúncio no preço, você não precisa de relatório sofisticado. Faça uma conta simples com o último mês: divida o que gastou em anúncio pelo faturamento total. Em um exemplo hipotético, uma loja de cosméticos que fatura R$ 30 mil por mês e investe R$ 3.600 em anúncio tem um peso de anúncio de 12% sobre as vendas. Esse é o percentual que entra na lista do preço.

Agora imagine que essa loja manteve os mesmos resultados em 2026, mas com o reajuste de 12,15%. Os R$ 3.600 viram cerca de R$ 4.037, e o peso do anúncio sobe de 12% para perto de 13,5% do faturamento. Parece pouco, um ponto e meio. Só que, numa loja que trabalha com lucro de 10% sobre a venda, perder um ponto e meio de uma vez significa abrir mão de cerca de um sétimo do lucro, sem ter vendido nada a menos.

Tem um lado bom nessa conta, e ele costuma passar despercebido. Quando você sabe quanto do preço está reservado para anúncio, ganha também um limite claro para as campanhas. Se o preço da sua bolsa comporta 12% de anúncio, uma campanha que gasta o equivalente a 20% de cada venda está dando prejuízo, mesmo que o número de pedidos pareça ótimo. O preço bem montado vira a régua da verba de mídia.

Por isso, quando o assunto é como precificar produto, o anúncio precisa estar na mesa. Muita loja aumenta a verba porque as vendas cresceram, sem perceber que cada venda nova custa mais do que o preço aguenta. Se você investe ou pensa em investir em anúncio, o nosso guia de tráfego pago para e-commerce mostra como organizar essa verba com os pés no chão, sem depender de sorte.

Um detalhe final: nem toda venda vem do anúncio. Parte chega pelo perfil orgânico, pela indicação, pela recompra ou pelo WhatsApp. Por isso a conta pelo faturamento total é mais justa do que olhar só as vendas atribuídas à campanha. Ela diz quanto, em média, cada real vendido carrega de custo de mídia, e é essa média que o preço precisa pagar.

O método do divisor: como formar o preço de dentro para fora

O método do divisor forma o preço em três passos: somar os valores em reais de uma unidade, somar todos os percentuais que saem da venda, incluindo o lucro desejado, e dividir o primeiro total pelo que sobra de cem por cento. O resultado é o menor preço que paga tudo e ainda entrega o lucro planejado.

Casal de sócios sentado no escritório da loja fazendo a conta do preço dos produtos à mão em um caderno, ao lado do notebook e de peças de couro.

Vamos voltar à bolsa do exemplo hipotético, a mesma que dava prejuízo vendida a R$ 96. Agora a conta vai ser feita de dentro para fora: começa pelo que precisa sair do preço e termina no número da vitrine.

Primeiro passo: some os valores em reais de uma unidade. Produto por R$ 60, embalagem por R$ 4 e a parte do frete que a loja banca, R$ 10. Total: R$ 74. Esse é o dinheiro que sai do caixa toda vez que uma bolsa é vendida, independentemente do preço cobrado.

Segundo passo: some os percentuais que saem da venda. Imposto de 8%, taxa do meio de pagamento de 5%, anúncio de 12%, despesas fixas de 10% e lucro desejado de 10%. Para simplificar, a reserva de trocas ficou dentro das despesas fixas. Total: 45%. Esses percentuais são todos calculados sobre o preço final, e é por isso que o próximo passo é uma divisão, e não uma soma.

Terceiro passo: encontre o divisor e divida. Tire o total dos percentuais de cem. Sobra 55%, ou 0,55 escrito em número decimal. Esse é o pedaço do preço que fica livre para pagar os R$ 74 de custo em reais. Agora divida: R$ 74 divididos por 0,55 dão R$ 134,55. Arredondando para um preço de vitrine, a bolsa vai para R$ 134,90.

Agora a prova real, que vale a pena fazer sempre que você montar um preço novo. Com a bolsa vendida a R$ 134,90:

  • Imposto de 8%: R$ 10,79.
  • Taxa do meio de pagamento de 5%: R$ 6,75.
  • Anúncio de 12%: R$ 16,19.
  • Despesas fixas de 10%: R$ 13,49.
  • Produto, embalagem e frete: R$ 74,00.

A soma dá R$ 121,22. Sobram R$ 13,68 por bolsa, pouco mais de 10% do preço, exatamente o lucro planejado. A conta fecha porque cada fatia foi reservada antes de o preço existir.

Por que não somar 45% em cima dos R$ 74? Porque o resultado seria R$ 107,30, e aí os percentuais de imposto, taxa, anúncio e despesas fixas, calculados sobre R$ 107,30, levariam R$ 37,56. Sobraria um buraco de R$ 4,26 por bolsa antes mesmo de pensar no lucro. Somar percentual em cima do custo é o erro mais comum de quem tenta acertar e não entende por que continua sem sobra.

Repare também no multiplicador que essa conta revela. Os R$ 134,90 equivalem a cerca de 2,1 vezes os R$ 64 de produto e embalagem. Ou seja, nessa loja, o multiplicador real não é 1,5, como a dona usava, e sim perto de 2,1. Quem conhece esse número passa a olhar para qualquer produto novo e saber, em segundos, se o preço sugerido pelo fornecedor cabe na operação.

A parte boa do método é que o divisor costuma ser o mesmo para a loja inteira, porque imposto, taxa, peso do anúncio e despesas fixas mudam pouco de um produto para outro. O que muda são os valores em reais. Então, na prática, você monta uma planilha simples com uma coluna para o custo, outra para a embalagem, outra para o frete bancado, soma as três e divide pelo mesmo divisor. Em uma tarde, o catálogo inteiro ganha um preço mínimo calculado.

Um alerta importante sobre o segundo passo. Quanto mais a soma dos percentuais se aproxima de cem, mais o preço dispara, porque o divisor fica pequeno. Se a soma passar de cem, nenhum preço resolve, já que as despesas proporcionais sozinhas engolem a venda inteira. Quando a sua soma estiver alta demais, o recado não é aumentar o preço sem parar, e sim rever algum dos percentuais, o que aparece nas seções seguintes.

O preço que o cliente aceita pagar

O preço que o cliente aceita pagar é o teto: o valor que ele considera justo ao comparar a sua loja com as alternativas. O método do divisor mostra o piso, o mínimo que paga tudo. Um bom preço fica entre os dois, e quando o piso passa do teto, o problema não se resolve mexendo apenas no preço.

Cliente examinando a costura e o fecho de uma bolsa no salão da loja de acessórios, decidindo se o valor da peça é justo, com a vendedora ao lado.

O cliente não paga pelo seu custo. Ele não sabe quanto você pagou ao fornecedor, nem quanto gastou de anúncio, e nem deveria saber. Ele paga pelo valor que enxerga naquele produto, naquela loja, naquele momento. Por isso duas lojas podem vender a mesma peça por preços diferentes e as duas venderem bem. O que muda é o que cada uma entrega em volta do produto.

O relatório NuvemCommerce 2026 ajuda a entender o que sustenta esse teto. Quase 60% dos consumidores decidem a compra pela avaliação de outros clientes. Quando preço e prazo empatam, 51% preferem comprar na loja própria da marca. E quase 70% exigem a loja própria para ter certeza de que o produto é original. Em outras palavras, confiança tem valor, e ela permite cobrar o preço justo sem precisar ser o mais barato da internet.

O mesmo relatório mostra o que derruba o teto. Além do frete caro, citado por 57%, o prazo longo afasta 35% dos consumidores, a loja desconhecida afasta 22%, a falta de informação sobre a empresa pesa para 18%, e a troca confusa, para 14%. Cada um desses pontos faz o cliente achar caro um preço que, em outra loja mais bem apresentada, ele pagaria sem pensar duas vezes.

Na prática, subir o teto é trabalho de apresentação, e não de desconto. Foto boa, descrição que responde às dúvidas, avaliações visíveis, política de troca clara, embalagem caprichada e atendimento rápido fazem o mesmo preço parecer mais justo. Uma loja de casa e decoração que mostra a luminária acesa num ambiente real vende melhor pelo mesmo valor do que outra que mostra só a peça no fundo branco.

Também vale olhar como o preço aparece. Segundo o relatório, a sacolinha de compra nas redes sociais é “o fim do preço no direct”, porque elimina o atendimento manual só para responder quanto custa. Esconder o preço para puxar conversa pode até gerar mensagens, mas cria desconfiança em quem quer decidir sozinho, e faz parte dos interessados desistir antes de perguntar.

Saber como precificar produto inclui descobrir onde está o seu teto, e para isso vale uma pesquisa honesta. Escolha três a cinco lojas que vendem algo parecido para o mesmo tipo de cliente e anote o preço, o frete, o prazo e o que cada uma entrega em volta. O objetivo não é copiar o menor preço, e sim entender a faixa em que o seu cliente está acostumado a pagar e onde a sua loja se posiciona dentro dela.

Uma loja de suplementos, por exemplo, pode descobrir que o seu piso calculado fica acima da média do mercado para o produto mais conhecido da categoria, mas bem abaixo do teto para o kit com coqueteleira e orientação de uso. A decisão inteligente, nesse caso, pode ser dar destaque ao kit e deixar o item avulso como complemento, sem brigar por centavos no produto que todo mundo vende.

Quando revisar o preço e o que fazer quando ele não cabe

O preço deve ser revisado sempre que um dos componentes da conta muda: reajuste do fornecedor, aumento do frete, mudança de faixa de imposto, custo maior do anúncio ou nova taxa de pagamento. Quando o preço calculado passa do que o cliente aceita, a saída está em mexer nos custos, na oferta ou na variedade de produtos.

Quem sabe como precificar produto sabe também que preço não é decisão tomada uma vez só. Uma boa rotina é revisar os preços a cada trimestre, mesmo sem nenhum sinal de problema, e fora dessa data sempre que algum custo importante mudar. Não precisa refazer o catálogo inteiro toda vez. Se só o frete mudou, só a coluna do frete muda. Se o imposto mudou de faixa, só o divisor muda. A planilha montada uma vez vira uma ferramenta que responde em minutos.

Existe uma tendência de preços que mudam sozinhos conforme a procura, o estoque ou a data (a chamada precificação dinâmica). Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, apenas 6% das lojas usaram esse recurso em 2025, mas 23% querem usar em 2026. Para a maioria das lojas pequenas e médias, porém, o passo anterior é mais urgente: ter um preço mínimo calculado para cada produto. Sem esse piso, qualquer ajuste automático corre o risco de vender abaixo do custo com mais agilidade.

Quando o preço calculado fica acima do que o cliente aceita, existem saídas antes de desistir do produto:

  • Renegociar a compra. Comprar em volume maior, juntar pedidos com outro produto do mesmo fornecedor ou buscar um fornecedor alternativo pode baixar o custo em reais.
  • Rever a embalagem. Às vezes o mimo que encarece cada pedido não faz diferença para o cliente daquele produto específico.
  • Mudar a regra do frete. Em vez de bancar o frete de tudo, bancar só a partir de um valor mínimo de pedido, que naturalmente puxa o cliente a levar mais de um item.
  • Montar kits. Juntar produtos que combinam dilui o frete e a embalagem em um pedido maior e costuma aceitar um preço total melhor.
  • Rever onde o produto é anunciado. Um item de preço apertado pode continuar no catálogo, mas sair das campanhas, vendendo como complemento de quem já está comprando.
  • Aceitar a margem menor de forma consciente. Um produto de entrada pode dar menos lucro se trouxer clientes que voltam e compram itens de margem maior. A diferença é decidir isso de propósito, e não descobrir por acaso.
  • Tirar o produto de linha. Se nada disso resolve, o item está ocupando espaço, verba e atenção que renderiam mais em outro lugar.

Se você quiser comparar a sua margem com o que costuma aparecer no mercado, o nosso guia sobre margem de lucro no e-commerce ajuda a colocar o seu número em perspectiva. Aqui, a pergunta é mais simples: o seu preço de hoje paga o que precisa pagar?

Para quem fatura acima de R$ 100 mil por mês, a revisão de preço tem um obstáculo a mais: o tempo. Segundo o relatório NuvemCommerce 2026, nessa faixa a falta de tempo é o desafio mais citado, por 59% dos lojistas, e a gestão de processos e custos aparece para 42%. A solução costuma ser dar dono à tarefa: uma pessoa da equipe responsável por manter a planilha de preços atualizada e avisar quando algum produto cair abaixo do piso.

Como começar a precificar certo na sua loja esta semana

Para começar, escolha os dez produtos que mais vendem, levante o custo em reais de cada um, liste os percentuais que saem de toda venda e aplique o método do divisor. Compare o resultado com o preço atual. Os produtos em que o preço atual fica abaixo do calculado são a primeira prioridade de ajuste.

Não tente resolver o catálogo inteiro de uma vez. Para quem está aprendendo como precificar produto, o melhor começo são os itens que mais pesam no caixa, e uma semana bem aproveitada já muda o jeito como você enxerga a loja. Uma sugestão de roteiro:

  • Segunda-feira: separe os dez produtos que mais venderam nos últimos três meses. Eles concentram boa parte do faturamento e, se estiverem com preço errado, concentram também boa parte do prejuízo.
  • Terça-feira: para cada um, anote o custo de compra, a embalagem e a parte do frete que a loja costuma bancar.
  • Quarta-feira: com o contador e os extratos em mãos, levante o seu percentual de imposto, a taxa média do meio de pagamento, o peso do anúncio sobre o faturamento e o peso das despesas fixas. Decida o lucro que você quer por venda.
  • Quinta-feira: aplique o método do divisor e faça a prova real de pelo menos dois produtos, para ter certeza de que a conta fecha.
  • Sexta-feira: compare o preço calculado com o preço atual e com a pesquisa das lojas parecidas. Separe os produtos em três grupos: os que estão bem, os que precisam de ajuste e os que precisam de uma decisão maior.

Com essa lista em mãos, você passa a decidir com números seus, e não com a regra que alguém ensinou anos atrás. Pode descobrir que o seu produto mais vendido é também o que menos deixa dinheiro, ou que um item esquecido no catálogo tem margem de sobra para ganhar destaque nas campanhas.

É aqui que o trabalho da Refston entra. Como assessoria de marketing, a gente olha para o anúncio com a conta do preço ao lado. Saber quanto do seu preço está reservado para mídia muda a forma de planejar as campanhas, escolher os produtos que merecem verba e definir até onde vale investir para conseguir cada venda. Anúncio bem feito em cima de preço errado só acelera o prejuízo. Anúncio bem feito em cima de preço certo faz a loja crescer com sobra.

Se você quiser olhar essa conta junto com a gente, chame a Refston no WhatsApp e conte como você forma o preço dos seus produtos hoje. A conversa é sem compromisso, e você sai dela com mais clareza sobre onde o seu dinheiro está ficando.

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